28/2/07
O homem e o poder
O filme Nero me fez repensar sobre as temáticas de corrupção e de poder. Aliás, a história antiga é transcendente, capaz de explicar fenômenos contemporâneos e ultrapassar os limites do tempo cronológico…
A corrupção sempre existiu, o poder sempre afetou o ser humano e conseguiu, desde os primórdios, transformar o cordeiro em lobo ou matar o cordeiro na arena sob os aplausos dos inimigos. Na política brasileira e mundial devem existir muitos homens como Nero, ingênuos e sonhadores, ao assumir o trono. E quantas Agripinas (como a mãe de Nero) não sentam no Congresso Nacional ao lado de nosso presidente? Perversa, astuta e convincente - quantas influências políticas como esta não estão ao lado de líderes nacionais e mundiais? Longe de mim, querer perdoar Nero e os outros tantos líderes brutais da antiga e atual história, procuro apenas relatar e tentar compreender o quanto o poder atormenta a alma humana, fazendo com que alguns homens enlouqueçam como Nero ou ao menos envelheçam muito no comando do país. Basta olhar Fernando Henrique Cardoso ou o próprio Luís Inácio Lula da Silva e perceber a diferente aparência de ambos antes de assumir o governo.
As pessoas deveriam ter mais cuidado com o poder, saber lidar com o trono e a coroa não são para qualquer um! Voltemos ao caso de Nero: criado em meio aos escravos era a maior esperança de seu povo e, no entanto… Ao assumir queria governar para todos, lutar por igualdade e logo a transformação ditada pelo poder o contaminou. A maldade desmedida, a luta por permanecer no comando, por manter-se como rei, fez de Nero um político perverso, um homem cruel.
Poucas pessoas conseguem afastar-se do poder, após terem vivenciado uns segundos sequer de reinado. Admiro os que o fazem, os que têm dignidade para retirar a coroa e seguir sua vida. Nero não conseguiu!
Deveria existir uma vacina contra a contaminação do poder. Todos nossos governantes deveriam tomá-la, antes mesmo de assumirem seus cargos políticos e, por via das dúvidas, renovar a medicação a cada ano, para que pudéssemos confiar, de verdade, em nossos representantes e não ficarmos preocupados em descobrir quem são os Neros, Agripinas, Britannicus do governo, o que não precisa ser muito observador para apelidá-los com os nomes romanos, pois estão todos por aí…
Ao povo resta orar para que surjam sempre novos Paulos de Tarsos e gente disposta, como ele, a pregar o bem. E não podemos esquecer de rezar também para que nenhum poderoso mande crucificá-los…
Publicado em 1º de março de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6
criado por joselmanoal
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