6/12/06
BOAS VINDAS A DEZEMBRO!
Dezembro é o mês conhecido como o da comilança sem fim, não é mesmo? Jantar de encerramento dos colegas de trabalho, dos amigos da escola, da faculdade, do clube, do futebol, da ginástica,… É festa que não acaba mais. Assim segue até a entrada do novo ano. E aí vem meu assunto de hoje, um dos meus favoritos, quem acompanha esta coluna sabe bem: os prazeres da mesa.
Quem já viveu uma situação de enfermidade, em que foi modificado ou impedido o hábito alimentar cotidiano de um dos componentes do grupo, sabe o quanto se torna difícil o encontro, a reunião. Nossos agrupamentos sempre vêm acompanhados de jantar, almoço, chá, independente do horário, sempre há comida.
Nunca entendi reunião-almoço e nem pretendo. Para mim não há como uni-los! Como descendente de italianos aprendi que hora de comida é hora de comida e nada mais deve ser feito. As refeições são sagradas e nada de discutir coisa alguma enquanto se come! Quando comemos, só devemos apreciar os alimentos: cor, sabor, aroma, enfim usar os sentidos e mastigar diversas vezes. E nada de oferecer um jantar fantástico se não houver sobremesa! Aliás, acho que a sobremesa deveria fazer parte do prato principal.
Vocês já assistiram ao programa Hell´s Kitchen no canal GNT? Nem queiram, é um total desrespeito com o ser humano e com a paixão culinária. Trata-se de um Big Brother da cozinha e tão ruim quanto! Há o chef e os doze aprendizes (como o programa já está na etapa final, dez participantes já foram eliminados). O prêmio: um restaurante. Os candidatos são tratados pior que cães. O chef Ramsay passa todo tempo a gritar com os participantes, diz todas as barbaridades possíveis. É de uma brutalidade assustadora, muito diferente do que penso ser uma cozinha de um restaurante. Quem já assistiu ao filme argentino El hijo de la novia – O filho da noiva? Ali, sim, se apresenta a diferença crucial entre um restaurante administrado em um momento pela família, em outro, por um grupo de administradores. E não quero ser preconceituosa, mas, em minha modesta opinião, os melhores restaurantes são os administrados por família, pois tem o tempero de uma alegria, de um sentimento diferente pelo trabalho. Há a pitada de prazer que falta a um administrador.
Ainda sobre o Hell´s Kitchen é ofensiva a forma como tratam o alimento. O prato é enfeitado, tudo servido à francesa. Bonito, mas sob tensão. Não há a empolgação que eu via em minha mãe, tias, avó, antes de algum aniversário em meio a panelas, papelotes, rolos de massa. Em tempos em que tudo se fazia em casa de salgadinhos a tortas enfeitadas. No referido programa televisivo não há uma risada, um sorriso sequer. Muito pelo contrário! Em um determinado momento uma das pretensas chefs foi ao banheiro chorar, após sofrer inúmeras humilhações, então o tal Ramsay resolveu procurá-la para se desculpar. Ou seja, após uma série de insultos, um afago. Que hipocrisia, que falsidade! Assisti uma única vez a Hell´s Kitchen com o propósito de escrever este texto e me basta!
A minha dica para dezembro é a de que aproveitem a comilança com prazer e iniciem a dieta, se acaso for necessário, apenas em 2007! Convém verificar como anda o estoque de chá de boldo e/ou sal de fruta em casa. Boas vindas a dezembro e que venham as comilanças, os encontros, os amigos secretos e revelados, os abraços e as sobremesas!
Publicado em 7 de dezembro de 2006, Jornal Bom Dia, p. 8
criado por joselmanoal
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