16/11/06
O pintor de paredes e a paixão pelos livros
Algo inédito na edição 2006 do Prêmio Fato Literário: unanimidade na premiação do júri oficial e do popular. A Associação Amigos do Livro de Taquara foi a grande premiada.
Na Associação, além da Biblioteca, com 17 mil títulos, há grupo de teatro, aulas de xadrez e violão. O responsável por este comovente trabalho de formação de leitores não é nenhum doutor em Letras, é um pintor de paredes apaixonado por livros - Roberto Carlos Sampaio Guedes. O seu trabalho é de dar inveja a milhões de docentes frustrados no trabalho de difusão da leitura. Roberto Carlos desde os onze anos, hoje tem 45, vem montando seu acervo e emprestando suas obras. Ensinou a esposa a ler, segundo ela, a fez nascer de novo com o aprendizado.
Agora com os 50 mil recebidos como prêmio, sendo 10 mil correspondentes ao júri popular e 40 mil ao oficial, serão investidos na informatização da Biblioteca. Louvável!
O Prêmio Fato Literário é resultado de uma parceria da RBS, do Banrisul e do governo do estado. Já está em sua quarta edição e ocorre durante a Feira do Livro de Porto Alegre. Uma idéia inteligente para aplaudir os que fazem algo pela leitura em nosso estado! Parabéns a Roberto por espalhar a paixão pelos livros e conquistar novos leitores com seu entusiasmo! Talvez só agora, após a dupla premiação, este difusor da leitura tenha percebido a importância de seu trabalho para a sociedade gaúcha!
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A poesia e a cômoda
O Curso de Letras da URI viveu um momento especial na segunda-feira, dia 13, à noite, no Salão de Atos da universidade, com a peça Quintana in Cômoda.
Os poemas de Quintana ganham nova vida e movimento. A expressividade, o olhar e a linguagem corporal dos atores encantam. A poesia está dentro da Cômoda, nada mais precisa no cenário, ela preenche o palco. Há também a janela que recria o mundo. A encenação faz viajar pelo mundo de Quintana e também pelo imaginário da recriação do Grupo Teatro de Gaiola. Agulhas de tricô que viram espadas, sapato que abriga borboleta, echarpe que vira cortina, rédeas ou toalha de mesa. A arte transforma e embeleza os poemas que já eram belos por si só. O grupo foi capaz de transpor, de traduzir com arte (ou será também com artimanha?) poema ao palco. Grilos, pulgas, cata-vento, sons, músicas, a simplicidade de Quintana e a beleza da poesia que está dentro e fora da Cômoda.
Publicado em 17 de novembro de 2006 - Jornal Bom Dia, p. 4
criado por joselmanoal
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