7/11/06
Insônia
Madrugada. Natália caminha pelo corredor. Um zumbi. Não consegue dormir. Já tentara televisão, música, livro. Não admitia os porquês da insônia. Depois do desquite, muitos homens, até mesmo o ex-marido… E agora Augusto. Suspira. Caminha até o quarto. A cama. As ausências. Que faria Augusto neste momento? Gostaria de acordá-lo. Sugerir um encontro. A noite com os drinques. Cristais. Mãos, bocas, pernas. Corpos, suores. Vidas. Olha para o relógio: quatro horas. Um telefone ao seu lado. E por que… Não! Loucura! O homem imaginaria absurdos. Afinal se conhecem há (Natália calcula) dez horas. Precipitação. Volta a caminhar. Sabe que precisa ouvir a voz daquele homem… Amanhã, quem sabe, outro horário. Tenta fingir. Sem resultados. Choro. Não entende. Não se entende. A coragem faltou ao encontro. Compareceram o medo, a ansiedade e o receio. O apartamento, um monstro. As paredes a esmagam. Dor no corpo. Torna a deitar-se. Fecha os olhos. O sono não vem. Levanta. Puxa o telefone dói gancho. Imagina o que não pode ver. O pijama, os chinelos, os olhos, aboca, os gestos – tudo. No telefone seria apenas uma voz. Ruído, a voz não escuta. A espera. Natália começa a roer as unhas. Ouve uma mulher. Deve ser engano. Natália confirma o número. O telefone no gancho. Ela prepara um uísque. Não quer pensar. Não quer ouvir. Não quer ler. Natália agora rói unhas, bebe uísque. Reveste-se de mentiras, sorrisos. È mulher, tem dinheiro. Apartamento e homens. Sem compromisso, melhor, pode sair com vários. Natália bebe,fuma, rói unhas. Chora.
Publicado em Contos de Oficina 8, p. 73
criado por joselmanoal
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