29/11/06
FILHOS DA RUA OU DE HOMOSSEXUAIS?
Recentemente, um casal homossexual adotou uma menina em São Paulo. Não é o primeiro caso em nosso país e nem será o último (ainda bem!). Sou totalmente favorável à adoção e devemos controlar qualquer sentimento de preconceito que tente nos dominar com relação à constituição das novas famílias. Relacionamentos homossexuais podem ser muito mais verdadeiros e saudáveis que heterossexuais. Quantos casamentos de fachada você conhece, leitor? Não preciso fazer grandes esforços para enumerar uns cinco, todos heterossexuais, conservadores, tradicionais e infelizes, se pensar com mais calma então… Se a base na construção de uma família deve ser o amor, não há nenhuma relação com a opção sexual do indivíduo.
Sabemos que em nosso país vivem inúmeros meninos de rua. Claro, existem também várias instituições e abrigos. Mas são suficientes? O que será melhor para a criança: morar em um abrigo, debaixo da ponte ou com uma família? Independente da forma como se constitui a família. O que interessa é o amor. E com certeza casais que optam por uma adoção o fazem imbuídos de tal sentimento ou pelo menos assim deveria ser…
A reportagem da Zero Hora sobre o Abrigo Municipal Inga Britta, em Porto Alegre, iniciada no domingo 26 de novembro, tem desvelado a cruel realidade em que vivem estes meninos. Uma vida baseada em violência, o desespero pela busca de drogas o que gera agressões contra monitores e entre os próprios albergados. Difícil pensar em alguma solução que não seja a de uma vida em família, voltamos à adoção. Não vejo outra forma, não encontro outro caminho.
Nossa sociedade deve estar preparada para as novas constituições familiares. Hoje os pais casam novamente, existem os padrastos, as madrastas, os meio-irmãos, o que há alguns anos eram raridades, agora são comuns. Portanto, aceitemos que nossos filhos convivam com filhos adotivos de um casal homossexual. Não há nenhum problema, nenhum impedimento de amizade. Nossos filhos não serão contaminados por nenhuma anomalia pelo convívio com esta criança. Tratemos de modo sensato, adulto e maduro as novas constituições familiares. Enfim, o que a sociedade deve, de modo urgente, é saber conduzir a vida com maior seriedade, menos hipocrisia e permitir, sim, que a beleza e a singularidade do amor entre pais e filhos sejam permitidas a todos que se prontificarem a assumir este compromisso sem fim.
Arranquemos, portanto, as amarras do preconceito e tratemos de aceitar a adoção por parte de casais homossexuais que desejam, tão somente, dedicar uma parcela de amor àqueles que por ela clamam todos os dias em meio a socos e pontapés. Um afago, com certeza, lhes faria bem…
Publicado em 30 de novembro de 2006, Jornal Bom Dia, p. 8
criado por joselmanoal
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