Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

25/10/06

TODOS QUEREM SUBIR NO PODIUM!

     A fórmula 1 nos apresentou dois exemplos interessantes no fim de semana: Felipe Massa e Michael Schumacher. Na verdade todos nós buscamos subir no podium, em algum momento de nossa vida. Nossas vitórias podem não ser tão badaladas ou emocionantes como as do automobilismo, mas existem de forma mais modesta, mas não menos feliz. Pior é quanto não nos damos conta de abrir o champanhe e comemorar nossos ínfimos minutos de glória. Falta ao ser humano reconhecer, assumir, festejar o seu podium, que pode ser: a aprovação no vestibular, a conquista de um novo trabalho, a companhia perfeita para um jantar a luz de velas, o beijo após a briga, o abraço do reencontro após uma longa viagem,… Não somos celebridades, no entanto podemos viver nossos momentos de número 1 e, com certeza, temos a nossa meia dúzia de fãs para aplaudir.
     Quero parabenizar o Felipe Massa e agradecer a este guri por alegrar a todos nós brasileiros que nos sentimos orgulhosos aos ver nossa bandeira triunfando na pista, após longos anos de ausência…
Apesar de minha antipatia por Michael Schumacher reconheço sua habilidade, seu talento e sua inteligência. E gostei demais de seu discurso há alguns meses ao anunciar a despedida da fórmula 1, escrevo despedida porque heróis não se aposentam. Soube agir com dignidade até o final da corrida escolhida como última. Bacana saber a hora de parar, reconhecer o momento de afastar-se, pois não é tarefa fácil para ninguém e deve ser ainda mais difícil para um mito esportivo! Schumacher sempre me pareceu um sujeito arrogante e prepotente, mas talvez seja, tão somente, determinado e por isto mesmo tenha tido tantas vitórias… E no dia do tal anúncio estava tão emocionado que parecia até haver uma pontinha de humildade em sua voz. Parabéns a Schumacher pela beleza da despedida.
Que nós tenhamos aprendido com as lições de Felipe Massa ao saber comemorar a vitória e com Schumacher a saber a hora de parar, despedir-se. Que a gente não desista na última volta, saiba o momento de frear, ultrapassar, acelerar, desviar, contornar as curvas - tudo no instante exato, porque nosso cotidiano pode muito bem ser comparado à pista de fórmula 1. Que a gente aprenda a pilotar a vida com a mesma alegria do Felipe Massa e a mesma determinação de Schumacher. E, principalmente, que não faltem boas companhias para vibrar conosco, estourar o champanhe e fazer aquele tim-tim cheio de sorrisos.
     Foi muito bom relembrar Airton Senna que, de alguma nuvem, deve ter vibrado e chorado ao ouvir o nosso hino!

Publicado em 26 de outubro de 2006, Jornal Bom Dia, p. 6

criado por joselmanoal    18:57 — Arquivado em: Crônica

18/10/06

VALE A PENA SER PROFESSOR!

     Ao ingressar na Licenciatura em Letras, em minha primeira aula na universidade, ouvi algumas palavras inesquecíveis de Marina Tazón Volpi, a quem muito admiro. A referida professora disse aos calouros algo muito simples e verdadeiro: de que como professores, provavelmente, não nos tornaríamos milionários, mas poderíamos ter uma vida boa, um salário digno e viver muitos momentos felizes, capazes de compensar qualquer fortuna. E nos falou da beleza de ser professor, da relação com os alunos, da alegria em vê-los progredir, de perceber a transformação advinda do conhecimento.
     Claro, ser professor não é viver em um paraíso, não se iluda, caro leitor! A sala de aula, como a vida, nos apresenta de tudo. Porém, continuo concordando com a Marina: vale a pena ser professor!
     Como toda profissão, o magistério também tem um vocabulário próprio. Destaco alguns vocábulos, em moda, no ambiente escolar: cidadania e criticidade. E me pergunto se são apenas usados por repetição, pela influência da linguagem do momento ou se são reais preocupações do educador. Nós, professores, queremos de verdade alunos cidadãos e críticos? O melhor aluno não permanece sendo aquele que concorda sempre conosco e nos tem como espelho? Tomara que o desenvolvimento da cidadania e da criticidade do aluno sejam verdadeiros objetivos em nossas aulas e não apenas adornos lingüísticos.
     Voltando aos porquês de ser professor… Em qualquer ofício deve haver paixão. Um profissional apaixonado pelo que faz, jamais será esquecido. Desculpem a franqueza, caros colegas: a crise no magistério se deve ao descrédito, ao desprestígio que nós mesmos construímos em torno de nosso trabalho. Há um repúdio, um desprezo social ao exercício do magistério, do qual somos culpados. Escrevo na primeira pessoa do plural porque sou professora, porém justifico que não faço parte deste grupo que se menospreza. Ao contrário, quem me conhece sabe que tenho muito orgulho de meu trabalho. No entanto, pertenço a esta categoria queixosa, diminuída. Nossa remuneração poderia ser melhor, tudo bem, porém o nosso olhar e a nossa postura diante da sociedade poderiam ser mais altivos.
     Na semana do dia do professor felicito todos os colegas educadores e desejo que consigamos recuperar a auto-estima perdida em algum cantinho da sala de aula.

Publicado em 19 de outubro de 2006, p. 6, Jornal Bom Dia

criado por joselmanoal    13:31 — Arquivado em: Crônica

17/10/06

BODAS DE RUBI

Os olhos azuis encontraram os castanhos pela primeira vez em uma festa. Quarenta anos se passaram e o encontro de olhares permanece intenso.  Filhos, genros, nora e netas aplaudem a beleza do amor reinventado.

O textinho foi escrito em homenagem a Leonildo e Joecí, meus pais, que comemoraram Bodas de Rubi em oito de outubro de 2006. Segue foto abaixo:

criado por joselmanoal    16:55 — Arquivado em: Conto minimalista

11/10/06

CRIANÇAS ADORMECIDAS

     Inicio o texto com uma indagação de Pablo Neruda no Livro das Perguntas: “Onde está o menino que fui / permanece dentro de mim / ou se foi?”
     Ao nos tornarmos adultos, esquecemos, rejeitamos a criança que nos habita. Ela, com certeza, permanece à nossa espera.
     No Dia das Crianças, doze de outubro, devemos não só presentear, abraçar e beijar os pequenos que nos rodeiam, mas reaprender a brincar com eles. Que tal despertar um(a) menino(a) adormecido(a)?
     Nós, adultos, que convivemos com a falsidade, devemos admirar o maior traço infantil que é o oposto, o antônimo - a sinceridade. Crianças são verdadeiras, dizem o que sentem, seja elogio ou desaforo, sem pudor.
     Temos muito a aprender com a nova geração infantil que é crítica, questionadora. O consumismo preocupa, assusta, no entanto a inteligência encanta! Muitos dão aulas a pais e avós de informática. Revelam intimidade com internet, telefone celular, etc. Os mini-gênios do século XXI são mestres em tecnologia! 
      Vocês lembram de como é ser criança? Vou fazer um esforço… Criança gira até ficar tonto, pula amarelinha, corre, salta. Descobre a vida a cada instante. Tem uma pressa indescritível de viver. Gargalha sem medo e em qualquer lugar, chora de tanto rir e caminha de mãos dadas com os amigos.
     Adultos que estejam babando de inveja, devem regressar no tempo e voltar a viver! E aqueles que dizem não gostar de crianças, devem visitar, com urgência, a praça mais próxima, observar os que tocam as nuvens com os pés ao andar de balanço. E depois devem sacudir com força os piás que trazem dentro de si. Quem sabe, assim, eles acordam!
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FEIRA DO LIVRO DE ERECHIM

     A Feira do Livro de Porto Alegre é convite, a de Erechim é convocação! Não percam de 25 a 29 de outubro no Seminário Nossa Senhora de Fátima das 9h às 21h30min! A patrona é a professora e poeta Mara Regina Röesler. Moacyr Scliar já confirmou sua presença em uma palestra no dia 28/11 às 10h30min. Vamos ter em nossa feira: mesas redondas, palestras, oficinas, apresentações artísticas, sessões de cinema, música, teatro, … E, é claro, não poderia faltar: sessão de autógrafos! O Curso de Letras URI, do qual faço parte, também estará nesta farra cultural.
     Com Dupla Delícia do homenageado da 9ª Feira do Livro de Erechim - Mario Quintana - encerro a minha crônica: “O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado” . Desejo que todos encontrem a preciosa companhia dos livros na feira que se aproxima.

Publicado em 12 e 13 de outubro, quinta e sexta-feira, p. 6 , Jornal Bom Dia

criado por joselmanoal    18:55 — Arquivado em: Crônica

4/10/06

NA PRIMAVERA

     Concordo que a melhor época do ano pode ser qualquer uma e que todos os climas têm seu charme, sua singularidade.
     No entanto, mesmo os maiores defensores do frio e da neve, devem reconhecer a supremacia da primavera sobre as demais estações. O momento em que tudo floresce. Não me refiro só à natureza, mas também às pessoas. Adquirimos um novo tom com a chegada da primavera, a palidez vai desaparecendo, vamos revivendo…
     Não é casualidade que em nosso país as eleições ocorram na mais nobre das estações, pois votar é um gesto de esperança, de renascimento. Espero que no segundo turno o povo dirija-se às urnas munido de lucidez, responsabilidade e bom senso.
     Independente da primavera que surge, e como fatalidades podem acontecer em qualquer clima, os aviões caem. Sempre que se dá uma tragédia, como esta da semana passada da queda do avião da Companhia Aérea GOL, escutamos depoimentos de pessoas que não viajaram no trágico vôo na última hora. Não morreram por um quê, por um triz. Coincidência ou mão de Deus? Os descrentes diriam que se trata tão somente de uma probabilidade, em se tratando de um número tão grande de pessoas, alguma não viajou. Eu como creio no cara lá de cima, acho que tem um dedinho dele, sim!
     Ainda na primavera brasileira, enquanto escrevo sobre renascimento e lamento a morte de passageiros e tripulantes do avião da GOL, o presidente dos Estados Unidos, em pleno outono, esmaga folhinhas no chão com os pés, assinando a lei que autoriza torturas em prisão a terroristas. É atroz, é bárbaro, é ultrajante, é vergonhoso! Não encontro adjetivo para descrever tal ato. Com certeza a mão que aí assina não é a de Deus… Os representantes dos Direitos Humanos estão abrindo um bocão, não é para menos, desejo que consigam impedir a brutal lei americana, mas diante do poder de George Bush, é quase impossível.
     Tudo isto acontece na primavera de nosso Brasil. Dias melhores virão como a Feira do Livro em Porto Alegre que vale as horas de deslocamento até a capital. Alcy Cheuiche é o patrono da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre e o país homenageado é o Japão. Finalizo deixando esta dica de passeio em busca dos livros, que dão prazer, que nos conduzem a espetaculares viagens, que nos dão horas de alegria, nos fazem repensar a vida e enxergar a primavera mesmo quando o inverno insiste em bater a nossa porta. Visite a Feira de 27 de outubro a 12 de novembro na Praça da Alfândega, no Santander Cultural, no Memorial do RS, na Casa de Cultura Mario Quintana, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo e no Cais do Porto.

Publicado em 5 de outubro de 2006 no Jornal Bom Dia, p. 6

criado por joselmanoal    16:42 — Arquivado em: Crônica
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