13/9/06
RIO GRANDE DO SUL X BRASIL
Este texto segue esta direção do Rio Grande do Sul ao Brasil, em razão da Semana Faroupilha e da Semana da Pátria.
Não sou fã de chimarrão, nunca freqüentei CTG, conheço muito pouco da música nativista. No entanto, sou gaúcha e se devo me apresentar com breves palavras, jamais o faria sem destacar minha condição regional dentro deste nosso tão vasto país. Ser gaúcho é nosso orgulho, notem que não é por casualidade que Ronaldinho carrega até no nome o Gaúcho. Poderia ter escolhido outro adjetivo qualquer…
Porém o ser gaúcho nos envaidece e por espalhar este orgulho, às vezes somos criticados. Reconheço que somos mais calados, mais reservados que o restante do país. Não temos a alegria baiana ou a leveza carioca. Porém somos mais críticos e sabemos valorizar talentos regionais. Quantos atores, músicos, escritores gaúchos permanecem desconhecidos no Rio de Janeiro e em São Paulo e por aqui têm todo nosso respeito e nossa admiração?
Interessante lembrar que muitos artistas gostam de estrear peças teatrais ou espetáculos musicais em Porto Alegre, porque se houver receptividade do público do sul do país, com certeza será sucesso nacional. Temos o mérito de ser a medida cultural de uma nação. Vocês não sentem os egos inchados de satisfação, estimados leitores? Por isto, pelo orgulho de ser gaúcha, peço que não desprezemos nas eleições esta característica que tão bem nos define como gaúchos: a nossa criticidade.
Lamentável reconhecer que nosso estado já deixou, faz muito tempo, de ser referência em crescimento, seja econômico, político ou social, por isto enfatizo tanto o valor das eleições…
Vocês devem ter assistido ao Brasilian Day na televisão, evento em que milhares de brasileiros imigrantes, que vivem em New York, dançaram em cantaram ao som de nossos músicos. Patrocinado pela Rede Globo, um grandioso espetáculo oferecido àqueles que vivem subempregados em outro país, em lugar de construir algo em sua própria terra. Distantes, comemoram o fato de serem brasileiros. Não parece incoerente? Há muitos engenheiros, advogados, professores, médicos que estudaram em nosso país e vivem de modo um pouco menos miserável do que viveriam em nosso Brasil. No entanto, preferem ser tratados como cucarachas latino-americanos. Somos mão-de-obra barata! Há prostitutas, entregadores de pizzas, faxineiros - brasileiros - espalhados pelos Estados Unidos. Eu não quero de modo algum desprezar formas de trabalho honestas, mas vocês devem concordar comigo que para graduados e pós-graduados são profissões menos louváveis do que aquelas para as quais se prepararam e se qualificaram.
Na Semana da Pátria, em lugar de espetáculos musicais em New York ou desfiles em nosso país deveria ser promovida uma Semana de Repensa Brasil, em que houvesse grandes fóruns de discussão disseminados por todo país, uma espécie de Feed Back Nacional com representantes regionais. E quem sabe, se juntos, não encontraríamos uma solução de reconstruir esta terra? E quem sabe não conseguiríamos resgatar os brasileiros que vivem como baratas iludidas no paraíso norte-americano? Mas voltando à vida real, sabemos que a tarefa de repensar e reconstruir o Brasil cabe mesmo é aos nossos governantes, portanto…
Publicado em 14 de setembro de 2006 no Jornal Bom Dia, p. 6.
criado por joselmanoal
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