Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

28/9/06

O AMOR

Uma menina e um menino olham-se e gostam um do outro. Chega a lua cheia e o menino transforma-se em um rapaz de quatorze anos de idade. Uma fada chega e diz a ele: “Só uma fada, como eu, pode ajudar-lhe. Eu lhe darei um beijo para que você possa voltar ao normal. Aquela garota não quebrará o encanto, nem você. Ninguém poderá deter este feitiço só o amor verdadeiro e eu”.

Ditado por Sophia Noal da Silva, aos cinco anos, em 17 de julho de 2006, sábado

Segue abaixo a foto da escritora mirim - Sophia Noal da Silva

 

criado por joselmanoal    15:49 — Arquivado em: Conto minimalista

27/9/06

De olho em Erechim

De Olho em Erechim

     Os usuários de transporte coletivo em nossa cidade enfrentam uma luta diária, devido à escassez de horários, à falta de itinerários, ao preço alto. Andar de ônibus deveria ser uma alternativa e não uma punição, um castigo aos cidadãos como é rotina em Erechim. Definitivamente: aqui é o caos depender de ônibus!
     Em julho (não pensem que enlouqueci!) matei a saudade de passear de ônibus em Porto Alegre! Desculpem a comparação, mas é outro mundo, não ter de esperar pelo transporte, diferentes itinerários, além da bela iniciativa que em sua décima quinta edição: Os Poemas no Ônibus - uma delícia, um deleite, um relax. A arte ao acesso de todos: brilhante! Não sei se conhecem o projeto, funciona assim: é realizado um Concurso Literário, em que são selecionados poemas para serem lidos pelos usuários de ônibus da cidade. Colados nas janelas em um formato de letra grande e de fácil leitura, poemas curtos, lindos, fáceis de memorizar. Segue um exemplo do poema de Rafael Vecchio:
“Dia lindo, sol raiando / Na janela, a dúvida / pulo ou saio voando?”
     Além disto, em Porto Alegre há alternativa da lotação. Com preço superior ao do ônibus e número menor de assentos, garante maior conforto e rapidez. Exatamente por ver Erechim como uma cidade a prosperar e com potencial para tanto é que a comparo com a capital. Com certeza podemos e merecemos um transporte coletivo de melhor qualidade! E não me refiro à qualidade dos ônibus, os carros estão na mais perfeita condição. Reitero que os problemas são os itinerários, os horários e o preço.
     Com o surgimento da área azul, o que considero uma excelente iniciativa e tem facilitado, significativamente, o estacionamento no centro, surge um novo desafio: o da melhoria urgente no transporte coletivo. Explico melhor: os que trabalham no centro da cidade, que antes estacionavam de forma gratuita, agora pagam por este serviço. Para este trabalhador torna-se oneroso, inviável. Devido a isto, estes empregados devem fazer uso do transporte coletivo na precariedade em que se encontram.
     Apelo aos órgãos competentes a repensar e buscar novas alternativas para a melhoria do transporte coletivo em Erechim. Convido as autoridades a um passeio de ônibus pela cidade para verificar a qualidade do serviço oferecido.
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De Olho na Eleição

     É domingo, caros leitores e eleitores, não esqueçam de votar com responsabilidade e cumprir seu papel de cidadão. Sintam-se honrados por poder fazer sua parte pelo país. Pesquise sobre seu candidato, não vote por simpatia, vote por competência, por ação. Escolha alguém capaz de representá-lo de forma digna e correta. Boa eleição a todos!
     Um belo domingo de sol e que venha a primavera de verdade!

Publicado em 28 de setembro de 2006, no Jornal Bom Dia, p. 6

criado por joselmanoal    18:53 — Arquivado em: Crônica

19/9/06

MARIA DA PENHA & ÂNGELA DINIZ

     Como vocês, caros leitores, já devem saber, a partir deste mês (setembro) passou a vigorar a Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher ou a Lei Maria da Penha, sancionada em sete de agosto pelo presidente Lula.
     Não deveríamos comemorá-la, pois sabemos que o ideal seria não precisar de leis como esta para coibir à violência nas relações. No entanto, a lei fez-se urgente e louvamos a sua existência.
     Cabe relembrar a história de Maria da Penha Maia Fernandes, hoje com sessenta e um anos, vítima de agressões. Em 1983, um tiro enquanto dormia a deixou paraplégica. Na segunda tentativa de assassinato, no mesmo ano, o marido agressor tentou eletrocutá-la durante o banho.
Muitas ações penais, julgamentos, recursos. Em 1994, Mª da Penha publicou Sobrevivi posso contar. Em 1998, o CEJIL -Brasil (Centro para a Justiça e o Direito Internacional) e o CLADEM-Brasil (Comitê Latino-americano do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher) juntamente com Mª da Penha, encaminharam à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA) petição contra o estado brasileiro sobre o caso de violência doméstica. Em 2001, a OEA responsabilizou o estado por negligência, omissão e tolerância em relação à violência doméstica contra as mulheres e exigiu providências do governo brasileiro sobre a finalização do processo penal do agressor de Mª da Penha. Em setembro de 2002, o agressor, finalmente, foi preso. A pena deveria ser de dez anos de prisão, no entanto, no início de 2004, foi posto em regime aberto e retornou ao Rio Grande do Norte. 
     Esta valente mulher brasileira é Coordenadora de Estudos da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APVV) no Ceará. Maria da Penha expôs sua dor e humilhação por sua solidariedade, para que outras não fossem vítimas de violência como ela. A lei tem o seu nome, porque soube gritar ao mundo seu sofrimento.
     Recordemos agora outro caso de violência doméstica: à morte de Ângela Diniz, em trinta de dezembro de 1976. Em Mea Culpa o assassino relata a sua versão da história e, como revela o próprio título do livro, não quer inocentar-se, ao contrário assume seu ato insano.
     Considero importante ressaltar que a violência sempre esteve presente nos diferentes patamares sociais. Doca Street e Ângela Diniz pertenciam à elite brasileira dos anos setenta. Uísque, champanhe, cocaína e sexo acompanhavam o cenário da dupla romântica. Em meio a esta loucura, aconteceu a morte.
     Em entrevista à Época (nº 433, 4 de setembro de 2006) o assassino descreve Ângela como uma mulher do mundo e a si mesmo como um caipira - formavam um casal antagônico. Em um momento de discussão, atirou por reflexo, não foi um assassinato premeditado. Tanto que depois de matá-la, Doca Street chorou abraçado ao corpo de Ângela Diniz. E pasmem: só foi preso em 1981 e da condenação de quinze anos, cumpriu apenas três anos e seis meses em regime fechado.
     Ao final do texto só posso concluir que a vida é mesmo uma doidera! Vocês não acham? Ainda bem que, às vezes, surge alguma lei sensata neste país…

Publicado em 20 de setembro de 2006, p. 4, Jornal Bom Dia

criado por joselmanoal    17:55 — Arquivado em: Crônica

13/9/06

RIO GRANDE DO SUL X BRASIL

    

     Este texto segue esta direção do Rio Grande do Sul ao Brasil, em razão da Semana Faroupilha e da Semana da Pátria.
     Não sou fã de chimarrão, nunca freqüentei CTG, conheço muito pouco da música nativista. No entanto, sou gaúcha e se devo me apresentar com breves palavras, jamais o faria sem destacar minha condição regional dentro deste nosso tão vasto país. Ser gaúcho é nosso orgulho, notem que não é por casualidade que Ronaldinho carrega até no nome o Gaúcho. Poderia ter escolhido outro adjetivo qualquer…
     Porém o ser gaúcho nos envaidece e por espalhar este orgulho, às vezes somos criticados. Reconheço que somos mais calados, mais reservados que o restante do país. Não temos a alegria baiana ou a leveza carioca. Porém somos mais críticos e sabemos valorizar talentos regionais.        Quantos atores, músicos, escritores gaúchos permanecem desconhecidos no Rio de Janeiro e em São Paulo e por aqui têm todo nosso respeito e nossa admiração?
     Interessante lembrar que muitos artistas gostam de estrear peças teatrais ou espetáculos musicais em Porto Alegre, porque se houver receptividade do público do sul do país, com certeza será sucesso nacional. Temos o mérito de ser a medida cultural de uma nação. Vocês não sentem os egos inchados de satisfação, estimados leitores? Por isto, pelo orgulho de ser gaúcha, peço que não desprezemos nas eleições esta característica que tão bem nos define como gaúchos: a nossa criticidade.
     Lamentável reconhecer que nosso estado já deixou, faz muito tempo, de ser referência em crescimento, seja econômico, político ou social, por isto enfatizo tanto o valor das eleições…
     Vocês devem ter assistido ao Brasilian Day na televisão, evento em que milhares de brasileiros imigrantes, que vivem em New York, dançaram em cantaram ao som de nossos músicos. Patrocinado pela Rede Globo, um grandioso espetáculo oferecido àqueles que vivem subempregados em outro país, em lugar de construir algo em sua própria terra. Distantes, comemoram o fato de serem brasileiros. Não parece incoerente? Há muitos engenheiros, advogados, professores, médicos que estudaram em nosso país e vivem de modo um pouco menos miserável do que viveriam em nosso Brasil. No entanto, preferem ser tratados como cucarachas latino-americanos. Somos mão-de-obra barata! Há prostitutas, entregadores de pizzas, faxineiros - brasileiros - espalhados pelos Estados Unidos. Eu não quero de modo algum desprezar formas de trabalho honestas, mas vocês devem concordar comigo que para graduados e pós-graduados são profissões menos louváveis do que aquelas para as quais se prepararam e se qualificaram.
     Na Semana da Pátria, em lugar de espetáculos musicais em New York ou desfiles em nosso país deveria ser promovida uma Semana de Repensa Brasil, em que houvesse grandes fóruns de discussão disseminados por todo país, uma espécie de Feed Back Nacional com representantes regionais. E quem sabe, se juntos, não encontraríamos uma solução de reconstruir esta terra? E quem sabe não conseguiríamos resgatar os brasileiros que vivem como baratas iludidas no paraíso norte-americano? Mas voltando à vida real, sabemos que a tarefa de repensar e reconstruir o Brasil cabe mesmo é aos nossos governantes, portanto…

Publicado em 14 de setembro de 2006 no Jornal Bom Dia, p. 6.

criado por joselmanoal    18:53 — Arquivado em: Crônica

6/9/06

Beleza Tamanho Zero e Fui Pescar

Beleza Tamanho Zero

     O mundo está ficando esquelético. Nos últimos dias, com certeza, você também leu ou ouviu falar sobre a nova medida em roupas americanas: o número zero. Se o número 4 americano equivale ao número 36 brasileiro, o que seria o zero, uma medida infantil?
     Eu cada vez me convenço mais de que não pertenço a este planeta… Fui magra toda vida e assim sigo, torcendo por novos quilinhos e quando eles chegam, comemoro como se fossem presentes surpresa. Na gravidez engordei dezoito quilos, o que relato com o maior orgulho e nenhuma mísera gota de culpa.
     Nada de obesidade, nem de anorexia. Saúde não combina com nenhum dos dois. Saúde se relaciona à normalidade de alguma gordurinha. Mulheres deixem de lado esta maluquice de zerar seu biotipo! Tratem de ser felizes, aliás já escrevi sobre isto em As Pontes de Madison (texto dedicado ao Dia Internacional da Mulher – está no blog). Duvido, como gulosa assumida, que alguém possa ser feliz comendo só alface, queiram me desculpar os vegetarianos radicais. Eu também como alface, mas prefiro mil vezes uma pasta. E não imagino minha vida sem chocolate!
     Valorizo as refeições em casa e em família, me acostumei à mesa como local de encontros e de união. Acho fast foods um barbarismo e considero um imbecil aquele que inventou o padrão de beleza esquelética. Meninas sejam gostosas e felizes e deixem para as top models o desagradável compromisso diário com a balança. Elas optaram por esta escravidão, por esta vida sem os prazeres gastronômicos (que pecato), por pertencer a um mundo cabide. Você não, amiga leitora, você é uma mulher de verdade e não uma Barbie articulada. E louvemos a publicidade da Natura e da Dove dedicada a todas nós, com nosso estilo imperfeito e real. Beleza pura…
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Fui Pescar

     Fui pescar, este é o recado deixado na tela dos computadores por aqueles que decidem demitir seus chefes. É, também, está na moda o abandono ao emprego. O escritor canadense Will Fergnson, autor do best-seller Ser feliz consagrou a moda. Há toda uma idealização do empregado com a pescaria e com o fato de dizer adeus à chefia e ter uma vida de playboy. A atitude de jogar toda a responsabilidade para os ares e ir morar em uma ilha (pode ser até Santa Catarina para a gauchada carente de um mar mais calmo e belo) é perfeitamente natural, porém algo mais nos espera neste mundo do que atitudes audazes. E o trabalho faz parte dela… Se você está insatisfeito e infeliz com o seu trabalho, claro que deve buscar outro e depois sim ir pescar. Por que pescar nas férias já é bom demais, não é mesmo? Não precisamos deixar de trabalhar, de produzir. Verdadeiramente não tenho vocação para dondoca!

Publicado em 7 de setembro de 2006 no Jornal Bom Dia, p. 6

criado por joselmanoal    15:18 — Arquivado em: Crônica
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