17/8/06
A Barbárie na Internet
A BARBÁRIE NA INTERNET
A notícia do suicídio do adolescente de Porto Alegre, noticiada em dez de agosto causa assombro, espanto, tristeza e medo. O que conduz alguém aos dezesseis anos, de classe média, aluno de escola tradicional, inteligente, ao suicídio? Este texto não pretende responder a tal pergunta, mas sim refletir sobre a barbárie que habita a Internet.
Deparar-se com a existência palpável da maldade aterroriza e causa pesadelos mais sérios na fase adulta do que Bicho Papão é capaz de provocar na infância. Nas telenovelas detesto os bonzinhos, prefiro os malévolos, no entanto como eles parecem excessivamente maus, parecem artificiais, parecem gente de mentirinha e por isto sinto um gigantesco alívio. Mas, ao deparar-me com a perversão internauta, me apavoro. Agora os lucíferes conseguem disseminar o horror por meio de computadores. A tecnologia tão bela e idealizada vira monstro.
O rapaz veio planejando sua morte há meses… Muitos o auxiliaram na arquitetura do plano suicida perfeito. Somente a estudante canadense, Lindsey, mostrou-se preocupada e buscou ajuda. Lamentável que o auxílio tenha chegado tardiamente…
Salas de bate papo em que o assunto é autodestruição, seres humanos que ficam monitorando e se divertindo com a morte alheia, que mundo é este? Que evolução é esta? Que uso horrendo da tecnologia faz o homem? Que espécie evoluída é a nossa?
Claro que a internet pode ser utilizada de modo saudável e inteligente. Atua como veículo de informação, leitura, entretenimento e cultura. Através da rede podemos viajar, visitar museus, parques, passear pelo mundo.
No entanto, a internet também está povoada de imbecilidades, de referências incorretas, de textos com autorias errôneas e absurdas, de pornografia e de muita gente sinistra! E os adolescentes sentados durante horas na frente do computador engolem e absorvem um pouco de tudo isto em dosagens nada homeopáticas… E assim morrem meninos todos os dias.
Diante de tanta dor e comoção, resta apenas aplaudir a ação policial, tanto em Toronto como em Porto Alegre, pois ambas mostraram-se ágeis, competentes, sensíveis, humanas, embora não tenham conseguido salvar o adolescente. As máquinas venceram!
Fica registrado o apelo para que a investigação prossiga, a fim de apurar os nomes dos demônios espalhados pelo mundo que estimulam e ensinam suicídio àqueles que tanto têm para viver…
Finalizo com um lembrete aos pais: mantenham os olhos abertos para o acompanhamento de seus filhos e lembrem de que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, como nos ensinou um dia Renato Russo.
Publicado em 17 de agosto de 2006, p. 6 no Jornal Bom Dia
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