10/8/06
OS SUPER-HERÓIS
OS SUPER-HERÓIS
Na minha infância, todas as mães eram as mulheres mais lindas do mundo e todos os pais eram super-heróis para os seus filhos. Hoje as crianças, são mais realistas, críticas e idealizam menos suas mães e seus pais.
Aliás a figura paterna mudou muito… Os meninos aprenderam a trocar fraldas, fazer seus bebês dormirem e alguns até a levantar de madrugada para atender os pequenos. E, pasmem, há os que têm mais instinto materno que as próprias mães! A mudança é o resultado de uma nova geração de mulheres, que, por também exercer uma atividade profissional, exigiu uma maior parceria de seus companheiros nas tarefas com os filhos. Meu pai, homem de uma outra geração, não cumpriu as tarefas anteriores, porém foi, a seu modo, meu herói. Seus atos heróicos? Para mim o maior foi enfrentar a dor com coragem e fé inabalável num mundo em que fraqueza e descrença imperam…
Considero todos os pais, das diferentes gerações, um pouco super-heróis e para confirmar que não estou só em minha constatação, basta acessar na internet a página do provedor Terra e realizar o teste para saber qual super-herói é o seu pai. Ou seja, os pais continuam super-heróis!
Como nossos pais são nossos super-heróis, passamos a vida buscando que tenham orgulho de nossos atos. Percebi o orgulho de meu pai em uma noite memorável, em uma premiação de concurso literário. Na abertura da solenidade, os jurados do tal concurso comunicaram que muitos participantes haviam classificado incorretamente seus textos e, portanto, poderiam ser premiados em outra categoria, devido à dificuldade de discernimento entre conto e crônica. Após discursos de autoridades foram apresentados os premiados. Finalizada a lista na categoria conto, como meu nome não fora anunciado, fiz menção de levantar. O meu pai tocou o meu ombro, em um gesto firme e seguro, e anunciou que não iríamos embora, pois não havia terminado a solenidade e questionou se eu não havia escutado sobre equívocos na classificação entre conto e crônica. Ou seja, voltei a sentar. Ao anúncio de meu nome como uma das premiadas em crônica, levantei sob o olhar de viu eu não falei e o sorriso infantil de meu pai. Claro, minha mãe também estava lá e ao ouvir meu nome abriu um largo sorriso, mas como as mães sempre têm um orgulho transparente de seus filhos, foi o orgulho de meu pai que me surpreendeu. E como Leonildo não é dado a muitos elogios, este momento tornou-se inesquecível.
Felicidades a Leonildo e a todos os super-heróis, pais de diferentes gerações, em seu dia. E como meu pai é dono dos mais belos olhos que já vi, tento uma descrição para finalizar o texto e apresentá-lo a quem não o conhece: nos olhos de Leonildo vive um mar azul entre dias de maremoto e dias de calmaria.
Segue uma foto de meu super-herói de belos olhos e eu (no niver da Laurinha, minha amada sobrinha e afilhada).
Publicado em 10 de agosto de 2006, p. 6, Jornal Bom Dia
criado por joselmanoal
8:33 — Arquivado em: 

Comentário por Lulu — 10 10UTC agosto 10UTC 2006 @ 18:56
JÔ
Parabéns.
Você tem talento e potencial. Vai fundo amiga.
Bjs
Lulu
Comentário por Joeci Noal — 11 11UTC agosto 11UTC 2006 @ 16:28
Joselma
Gostei muito do texto.O final está lindo, poético.Parabéns.Apesar de minha opinião ser suspeita,porque sou fã da escritora e dos olhos azuis. Bjs Mãe
Comentário por Siomara — 15 15UTC agosto 15UTC 2006 @ 9:47
Profe, para quem conviveu contigo + ou - quatro anos…estou percebendo que durante toda esta caminhada, o que conheci sobre sua vida foi muito pouco e é agora com a leitura de seus textos, maravilhosos por sinal, que venho a conhecer um pouco mais sobre esse ser humano querido que és…Num mundo tão indiferente o qual vivemos hoje, é difÃcil encontrarmos pessoas que dêem total importância para a famÃlia. Gostaria de parabenizá-la por seu exemplo…
Um grande abraço de sua aluna…