24/7/06
As mini-mulheres e o fenômeno Barbie
As mini-mulheres e o fenômeno Barbie
Meninas de cinco anos sonham em ser a Barbie. Eu, como mãe de uma menina nesta faixa etária, às vezes, tenho vontade de retroceder algumas décadas na forma de educá-la. Fico apenas na vontade porque acredito na minha geração e em seus preceitos educativos.
Sei que não estou só nesta angústia, conversando com outras mães percebo que nos encontramos com as mesmas dificuldades ao educar meninas que desejam ser sexy. Aos cinco anos, até mesmo antes, só vestem blusas baby look, calças de lycra boca de sino, micro-saias, leggings coloridos e botas de salto. E nós que usávamos até aqueles shorts de ginástica na cor azul marinho, com elásticos nas coxas, fofinhos e ridículos? Aquilo sim era o fim do mundo e nós suportávamos todo o horror e aos nossos pais e professores nada dizíamos. Era o uniforme e o aceitávamos caladas – assim eram os tempos de ditadura…
Há um lado muito bom nisto tudo, o de que nossas meninas serão, e já são, mais críticas, contestadoras, opinativas do que fomos e tudo indica que serão mulheres capazes de fazer suas próprias escolhas e tomar decisões com segurança. Sem falar que jamais nossas meninas vestiriam aqueles nossos shorts, não é mesmo?
Porém o que me preocupa, de verdade, é a minha desatualização: até quando dura mesmo a infância?
Nada contra a Barbie! É uma boneca bonita, cabelo e corpo perfeito, roupas e calçados dos sonhos de qualquer mulher. E aí justamente que consiste o problema: de qualquer MULHER. As meninas querem ser Barbies, querem ser mulheres sedutoras, têm coleções de batons e bolsas. Precoce e assustador!
Aos cinco anos, minha filha já pediu celular. Claro não ganhou, mal conhece os números… Outro dia me perguntou quando eu permitiria outro furo na orelha e piercing no umbigo. Quase tive um colapso nervoso, mas disfarcei um sorriso e tentei explicar, pacientemente, que tudo na vida tem uma idade certa e com certeza faltava muito tempo para ela…
Sem dúvida serão outras mulheres! Têm muito mais acesso à informação do que tivemos. Mas e a infância? Fui criança até os doze ou treze anos, ingênua, feliz, brincando de boneca de papel.
Preocupar-se com ser atraente aos cinco anos? O que vão fazer aos quinze, vinte, trinta? Para que adiantar esta neurose feminina? O que ocorrerá dentro de alguns anos: lipoaspiração infantil?
E viva a infância! E a Barbie que me desculpe, porque eu continuo preferindo o Coelhinho da Páscoa e o Papai Noel como símbolos da infância!
Publicado em 18 de maio de 2006 – Jornal Bom Dia, p. 6
criado por joselmanoal
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