Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

24/7/06

Zidane em um minuto de insensatez

                       ZIDANE EM UM MINUTO DE INSENSATEZ

     Como brasileira e gaúcha, com a saída do Brasil na Copa do Mundo, me uni à torcida lusitana por Felipão. E depois resolvi torcer pela Itália na final. Escolha da qual não me arrependi porque os italianos ganharam em educação e caráter, me refiro tão somente à partida e não a comentada corrupção.
     Zidane jogou, divinamente, durante toda a Copa, poderia ter se aposentado como um ídolo, teria respeito e admiração mundial. No entanto, um minuto de falta de lucidez e maturidade, pôs tudo a perder. A vaia de franceses e italianos ecoou no estádio mais forte que La Marselhaise e fará parte dos pesadelos de Zidane por muito tempo… Uma vergonha nacional que confesso como brasileira perversa, gostei! E sabem por que gostei? Gostei porque desta vez não fomos nós, brasileiros, que exacerbamos em falta de educação. E assistir a Final da Copa com um vexame do ídolo futebolístico de um país desenvolvido, referência em etiqueta e elegância é, no mínimo, surpreendente! A França ganhou em estupidez nesta Copa! E não me refiro só a Zidane, mas também ao técnico francês por todo seu sarcasmo e ironia ao aplaudir e sorrir diante da expulsão merecida do craque francês. Um gesto hipócrita!
     Sabemos que o italiano não disse nenhum versinho de amor a Zidane, porém a provocação faz parte do jogo e nada justifica a tresloucada atitude do ídolo francês.
     Quantas vezes, caros leitores, não nos deparamos com provocações e não tivemos a mesma vontade de cabecear o estômago de alguns. Não obstante, soubemos nos controlar, respirar fundo e voltar aos nossos afazeres. Se fosse um adolescente, perdoaríamos, mas Zidane está longe de ser assim qualificado.
     A sabedoria está em saber lidar com as provocações. O desprezo e o silêncio do jogador francês às palavras do italiano, o teriam mantido no pedestal. Um minuto de insensatez e ficará marcado pelo resto da vida. Sabemos que a sociedade é cruel: os anos de glória são apagados pelos instantes de deslize. Pobre Zidane será lembrado por um único instante de descontrole, violência e desequilíbrio e não por seus inúmeros momentos de espetáculo com a bola no pé.
     E perdoem a franqueza da comparação, apesar de todas as críticas feitas a Ronaldinho Gaúcho, se comparado à delicadeza de Zidane, prefiro a sinceridade do sorriso dentuço de nosso guri. Ronaldinho pode até não ter jogado tudo que sabia e podia nesta Copa, porém jamais reagiria de modo grosseiro a uma provocação em campo. Dona Miguelina educou bem o menino. E que na Copa de 2010 não nos decepcione este piá…

Publicado em 13 de julho de 2006 – Jornal Bom Dia, p.6

criado por joselmanoal    19:54 — Arquivado em: Crônica

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