24/7/06
A difÃcil arte de elogiar
A difícil arte de elogiar
Se realizamos um trabalho perfeito, se participamos de algum evento com brilhantismo, se preparamos um jantar caprichado, se escolhemos roupa, calçado e jóias adequadas à festa – o que esperamos? Claro, óbvio, um elogio! E, na maioria das vezes, o elogio não nos é dito.
Impressionante como o ser humano desenvolve a capacidade crítica, mas não a capacidade elogiosa! Enxergamos qualquer pingo, qualquer gota de imperfeição. Nascemos para ser perfeitos, então temos a obrigação de sê-lo. E para que serviria mesmo o elogio?
Elogio é tudo! Tente ir a uma festa sem ouvir um elogio sequer; por mais bela que nos sintamos, o elogio aumentaria alguns centímetros em nossos saltos, não é verdade, meninas? Sou elogiante, exercito, sempre que posso, a arte de elogiar. Para tanto, me esforço para observar todos os detalhes nos outros: corte ou cor do cabelo, roupa, decoração da casa, quilos a menos (naturalmente), etc. Sem falar nas situações mais significativas, como mudança de: cargo, emprego, cidade, casa, que merecem elogios pelo gesto de coragem e pela fé que nos lança ao eterno recomeço.
Então vamos refletir o porquê será tão difícil elogiar. Será que ao prestigiar os outros nos sentiríamos diminuídos? E inveja explica? Ou será: “para que revelar o que é bom, basta dizer o que não o é” ? E o resto fica subentendido? O resto é justamente o que dá razão à vida e a torna especial!
Relações amorosas felizes não ocorrem sem elogios, não se estabelecem, não se fortalecem e não perduram. Então porque alguns só elogiam no momento da conquista? Casais se afastam, após anos de vida em comum, às vezes, um pequeno elogio poderia ter modificado a história… Inúmeras pessoas realizam seu trabalho com dignidade e esmero, sem jamais ter ouvido um mísero elogio por parte de suas chefias. E assim tristemente se aposentam…
Vale elogios à família também! É triste ver um adolescente aprovar no Vestibular, ganhar uma medalha em um campeonato esportivo, conseguir um dez suado em uma disciplina e nada ouvir. “Afinal é sua obrigação, não é?” – diriam os pais em sua incapacidade elogiosa que deve ser repensada com urgência! O mesmo ocorre com os pais que também merecem elogios, até mesmo pelos pequenos gestos como aquela comida tão bem elaborada… O churrasco do papai e a lasanha da mamãe com um “que delícia” de seus filhos garante um prato ainda mais saboroso da próxima vez tão somente pela recordação do elogio. Afinal não queremos ser só bons naquilo que fazemos, queremos a aprovação social, os aplausos daqueles que queremos bem, precisamos de um estímulo para melhorar cada vez mais… E afinal que custa elogiar? Garanto que não dói, não é prejudicial à saúde, nem provoca cáries. Então, aos elogios…
Queridos leitores, como adoro elogios quero agradecer a todos que tenho recebido em razão deste espaço semanal. Muito obrigada e registro aqui meu elogio sincero a todos vocês que sabem elogiar!
Publicado em 25 de maio de 2006 – Jornal Bom Dia, p. 6
criado por joselmanoal
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