O pai sempre soube, a mãe nunca quis saber. Quando eram crianças, um acreditava no tesouro no fundo do mar, o outro queria  voar. No mesmo dia: o surfista afogado e o paraquedista esmagado entre pedras.
19/12/11
Angelina Jolie e a ceia natalina
           Nesta época de Natal, em que as famÃlias se reúnem e apreciam a mesa farta, infelizmente, muitos esquecem de agradecer a Deus e louvar o nascimento do menino Jesus; lembram apenas da figura simpática, mas que não deixa de ser o maior Ãcone do consumismo que é Bom Velhinho Papai Noel. Mas não devo me desviar do assunto deste texto, que não é o consumismo ou a falta de fé, mas sim a mesa farta!
           Sou magra, por uma sorte do destino, por questões genéticas (ou sei lá eu o quê), porém reconheço minha alma de gorda, meus olhos sofrem de obesidade mórbida, aprecio a mesa farta e não esqueço de agradecer ao Papai, não o Noel, o do Céu mesmo!
           Pois bem, ao ler a notÃcia sobre a magreza doentia de Angelina Jolie, tive pena do excesso de vaidade da moça, afetada pela doença estimulada pela mÃdia de que ser esquelética é belo! Como será o Natal da Angelina Jolie? E a gente fica lendo a Caras no salão de beleza e invejando a vida de luxo dos famosos, nem sempre tão felizes quanto aqueles sorrisos estampados nas revistas.
           Um metro e setenta e três mede e quarenta e três quilos pesa Jolie, está ingerindo apenas 600 calorias por dia, quando um adulto deve ingerir pelo menos o dobro disto. Uma barbaridade! Os nutricionistas devem estar todos em estado de choque!
           A mesa farta do Natal está relacionada ao prazer da confraternização e, portanto, ao gesto de comer. Tristes as pessoas que não sabem apreciar um bom prato, doentes que esquecem de se alimentar, como confessou a mencionada atriz. Esquecer de comer? Pode, isto? Pode! E a cada dia aumenta, e de modo significativo, o número de adolescentes e adultos com anorexia e bulimia.
          Neste Natal que as famÃlias reunidas diante da mesa farta, agradeçam a Deus, confraternizem o nascimento de Jesus, troquem receitas e sorrisos e comam com alegria! Tudo bem, nós não somos famosos, somos anônimos comilões, mas felizes pra caramba com a nossa ceia!
           E sejamos solidários na noite natalina, dediquemos o nosso mais sincero lamber de beiços, ao degustar o nosso majestuoso peru recheado, a Angelina Jolie e seus tristes lábios carnudos que um dia desaprenderam a apreciar o sabor da boa mesa.
6/12/11
Sócrates
Sócrates, Bill e Bob
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           Nascer com nome de filósofo não garante que o sujeito será um pensador, no caso do brasileiro, jogador e médico Sócrates, o nome não foi uma mera casualidade. O nosso Sócrates, o brasileiro, era um homem inteligente e consciente de sua importância social como um craque famoso e admirado em nosso paÃs.
           Lamentável a doença do alcoolismo que não escolhe sexo, raça, nÃvel sociocultural. Doença tirana não reconhecida, vista como vagabundagem por muitos. Quem sofre de alcoolismo tem que saber lidar com o tamanho preconceito atribuÃdo à enfermidade. Não é fácil. E mais difÃcil ainda é a cura, inexistente, só a famosa resistência de um dia de cada vez a que se agarram os que lutam pela sobriedade todos os dias. Não é que o próprio Sócrates, em entrevista, declarou viver um dia de cada vez, pena não ter se tornado um amigo de Bill e Bob, fundadores do AA. Talvez a vida lhe pudesse reservar mais algum tempo, se tivesse conhecido as lições dos Alcoólicos Anônimos.
.          O alcoolismo é uma doença que atinge a famÃlia, os familiares adoecem junto com o alcoólico, por não saber como lidar com o doente, de que forma podem ajudá-lo e sofrem muito diante da impotência do nada fazer. Você, leitor, vai me dizer tá e daÃ, mas qual a diferença, afinal de contas, comparada a qualquer outra doença, na qual os familiares também querem ajudar, não sabem como e se sentem impotentes? Sim! No entanto, não adoecem junto, não se tornam neuróticos e devem buscar ajuda psicológica em grupos de apoio como Al-Anon e Alateen. A diferença da doença do alcoolismo com relação a outras doenças reside na relação com a famÃlia a na responsabilidade do indivÃduo dependente, que se embriaga e se mata aos poucos e pode deixar de fazê-lo e renascer a qualquer momento, basta querer. Mas o querer não e assim tão simplista e os familiares devem, precisam entender que a pressão não resultará em sucesso e que as inúmeras internações só darão resultado positivo se o alcoólico quiser deixar de beber. Depende dele e de mais ninguém. E esta força interior à s vezes demora muito para chegar ou não chega. Admiração, orgulho e respeito merecem os alcoólicos em sobriedade e igualmente respeito, compreensão e amor os que ainda não conseguiram conquistá-la.
           Que a morte do Ãdolo Sócrates possa alertar a população sobre uma doença tão séria e imbuÃda de preconceito social. O Sócrates, um brasileiro tão genial, que poderia ter vivido mais e melhor se tivesse aprendido a oração da serenidade e seguido ao passos de Bill e Bob.
10/11/11
Elite intelectual imatura
A insegurança da população brasileira que vive em meio à violência, principalmente nas grandes cidades, como é o caso de São Paulo, deveria ser assunto levado a sério por todos os cidadãos e, principalmente, pela elite intelectual, que pode ser representada pelos universitários de nossa nação.
Após o assassinato de um estudante dentro da USP, a polÃcia assumiu o seu papel em defesa da comunidade estudantil. Quando o problema parecia ter sido amenizado, eis que surge um bando de acadêmicos, que mais parecem ter recém saÃdo do jardim da infância, tamanhas imaturidade e insensatez, e resolvem agir de modo grotesco, invadindo prédios e depredando o bem público pelo simples fato de quererem fumar maconha livremente.
Sou favorável à legalização da maconha. Inclusive, porque álcool também é droga e tem consumo liberado, mas isto é assunto para outro texto! Aqui, quero abordar a falta de responsabilidade social de um grupo de alunos privilegiados em ingressar em uma das maiores universidades públicas brasileiras e que deveriam, portanto, ser modelos de sujeitos éticos para a nossa sociedade. Claro, esse grupo não é a totalidade da USP, representa uma minoria, que, no entanto, deve ser considerada, tendo em vista a gravidade dos fatos.
Por que é considerado algo tão prioritário o gesto de fumar maconha dentro do ambiente universitário? Pois tratem de fumar em outro local e preservem a população da violência dentro da USP. Como estão equivocados esses garotos, não sabem o que é ser revolucionário. Julgam uma ação rebelde a de lutar por qualquer causa medÃocre, como esta do fuminho. Agir de modo rebelde, revolucionário, é vocábulo muito maior, trata-se de algo muito mais sério, como o protesto, por exemplo, quando o estudante foi assassinado dentro da universidade, isto, sim, é relevante!
Tem gente criticando a ação da polÃcia. Sim, pode ser considerado exagero o confronto com os estudantes, mas algo tinha que ser feito dentro da universidade, a fim de proteger a comunidade acadêmica da violência exacerbada que toma conta de nosso paÃs. O fuminho pode ocorrer em qualquer local, não precisa ser dentro da universidade, porém os alunos devem circular com tranquilidade dentro da USP, sem temer um possÃvel assassinato.
Ao ocorrerem fatos como esse, ficam a reflexão e a dúvida sobre o que nós, professores universitários, estamos fazendo em prol da cidadania de nossos alunos, pois estes demonstram cada dia uma maior infantilidade, egoÃsmo e insensatez ao lidar com os problemas sociais cotidianos.
A nova elite intelectual será capaz de construir um Brasil melhor no futuro? É difÃcil ser otimista, juro que me esforço para tanto!
Publicado em Zero Hora, p. 23, 10 de novembro de 2011
7/11/11
Visão de mundo
Somente após o acidente e a cegueira, ele passou a encarar a vida de frente.
2/11/11
Jô por acaso
Olá, Pessoal.
Estou escrevendo em nova página, minha coluna se chama Jô por acaso, todas as quartas-feiras, às 22h, no TCHÊcnologia.
Prestigiem!
Mas, não devo abandonar Os textos da Jô!
1/10/11
Grevistas e atores
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           Greve é um direito de protesto do trabalhador e como tal deveria ser entendido.  O medo de sofrer demissão, por parte dos funcionários de empresas privadas, neste caso bancários, fez com que a greve perdesse o sentido de seriedade e comprometimento que deveria fazer parte do processo.
          Considero lamentável, para não dizer vergonhoso, o pagamento de militantes para encenação do papel de grevistas na frente dos bancos. Na verdade não sei porque me assombro tanto com o Brasil, afinal no paÃs do jeitinho e da mentirinha, claro que a greve também pode virar teatro! Me coloco no lugar do trabalhador do setor privado e sei que a situação é séria, compreendo o temor à demissão e a necessidade do emprego para a sobrevivência, mas não suporto a ideia de grevistas atores, me parece ultrajante!
         O nosso paÃs já reconhecido como acomodado e de pouco protesto com esta encenação assumida torna-se ainda mais desacreditado. Não somos capazes de enfrentamento, de saber protestar em conjunto. Será que o banco demitiria todos os seus funcionários, se todos entrassem em greve? Mas claro, há os que temem, e, no entanto, vão adorar receber aumento, enquanto alguns de verdade protestam, com minhas desculpas pela ironia, pelo escárnio. No momento em que são contratados militantes, e isto é dito e assumido pelo setor, o sentido do protesto se perde totalmente.
          Às vezes sinto um orgulho e uma admiração por aqueles que protestavam de verdade nos anos sessenta. Não vivi este tempo, mas confesso que tenho uma saudade daquele povo que já fomos um dia, formado por brasileiros munidos de maior valentia, talvez até com uma dose de rebeldia ou inconsequencia, como costumamos ouvir de alguns. Porém todos devem concordar que se tratava de gente que protestava de verdade, não havia militantes pagos, eram todos reais e arriscavam a própria pele por uma causa.
         Hoje somos sujeitos sem causa, cada um luta para defender o seu lado, sujeitos voltados para o próprio umbigo, nos transformamos cada vez em pessoas egoÃstas e despreocupadas com o social. Uma pena!
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Publicado em Zero Hora, 4 de outubro de 2011, p.14.
30/8/11
NotÃcias atrasadas
           Após o abandono do blog, uns cinquenta dias de hibernação, a cronista ursa resolve voltar à vida. As desculpas já foram dadas no texto anterior, então como já sabem: não produzo da mesma forma no inverno! Portanto o resultado está aÃ: nenhum texto em agosto.
          Hoje como o sol voltou a estes pagos, me senti viva novamente e resolvi escrever algo dedicado a meia dúzia de fiéis leitores deste blog.
           Bem, durante o meu afastamento blogueiro aconteceu a minha mudança de residência e agora o chuveiro está melhor!
            Que mudança dá um trabalho danado nem preciso dizer, é chover no molhado, então a hibernação não foi total…
            Pois bem, muito aconteceu, enquanto eu não escrevia e aqui enumero aquilo que deveria ter escrito em outras datas. Seguem agora meus comentários tardios:
             o assassinato da juÃza PatrÃcia Acioli, no Rio de Janeiro me deixou espantada e a pensar, profundamente, sobre se devemos temer mais os traficantes ou os policiais corruptos. PatrÃcia, profissional competente, preocupada em fazer justiça no paÃs do jeitinho, condenou mais de 60 policiais militares em São Gonçalo nos últimos dez anos. casada e mãe de três filhos foi assassinada aos 47 anos por tentar exercer sua atividade de modo decente. Mais uma vergonha nacional, mais um crime que deverá seguir impune.
            um fato menos importante, porém não menos assustador: a simulação de assalto no Rio de Janeiro, que resultou no roubo do álbum de formatura do ensino médio, idealizado pela mãe e o namorado (da mãe, não da adolescente formanda) revela a que ponto chega à futilidade, à mediocridade social! O álbum custava 1.600 reais. Aliás, alguém aà sabe me informar qual é o preço da dignidade humana mesmo?
          o Inter bicampeão da Recopa; para não dizer que só ocorreram fatos tristes, alegria de brasileiro pelo menos no futebol, felicidadezinha tupiniquim, fazer o que, né? No inverno até isto tá valendo! E ainda bem que nasci colorada!
9/7/11
Frio rima com PQP com todo respeito às mães!
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          Há dias quero escrever sobre o frio, mas não consigo, justo porque o frio não me deixa, não consigo sair da cama mais cedo para escrever e o texto fica para o dia seguinte, que não chega nunca… O blog estava em situação de quase desativado e eu, encolhida, a dormir além da conta. E só hoje, que o clima melhorou um pouco, (consegui até caminhar à beira mar!) é que o texto, enfim, se materializa. O mestre Assis Brasil escreveu na sua coluna esta semana na Zero Hora o belo texto (aliás como tudo que ele escreve!) denominado Inverno. A crônica é ótima, mas querido Assis, eu discordo totalmente de ti!
         No inverno não produzo, me encolho, não gosto de fazer nada, só de comer, dormir e fazer tricô! Tenho sorte em parecer com minha mãe e não ter tendência a engordar, pois do contrário já estaria obesa e ainda mais infeliz.
         Lavar louça, lavar roupa, lavar o rosto, escovar os dentes, tomar banho, tudo vira massacre no inverno, principalmente quando não temos (como é a minha situação atual) água quente nas torneiras e um bom chuveiro a gás. Pois é, cumpro com a minha higiene pessoal no inverno com sacrifÃcio é claro, além de proferir muitos palavrões e inúmeros grunhidos (o que não costumo fazer em outra estação!), mas fico devendo com relação ao verão, que freqüento manicure toda a semana e pedicure a cada quinze dias, passo creme hidratante todos os dias. Quer saber, vou revelar: minha pele tá muito ressequida, na verdade tá um lixo e meus pés, bem meus pés nem sei porque não os enxergo, estão sempre com dois pares de meia e no banho não dá tempo para a contemplação! Estou um desastre!
         Sexo no inverno? Um horror! Não vou entrar em detalhes, mas vocês devem concordar comigo, que, embaixo de um monte de cobertores, a performance sexual não é a mesma, as posições acabam sempre sendo as mesmas. Uma monotonia de vida! Adoro verão, nudez, suor e muita criatividade!
         Não consigo gostar do frio e, no entanto, permaneço neste estado. Pensava que depois de viver sete anos em Erechim, já havia conhecido e me acostumado ao frio, mas ano passado vim morar em Rio Grande e me estabeleci no Cassino. Maravilhosa praia nas outras estações, porém no inverno o vento parece que me corta no meio. Gosto muito de ser gaúcha, mas no frio queria mesmo era virar ursa, dormir e ser acordada na primavera. Ou quem sabe hibernar no Rio de Janeiro?
         Bem, hei de sobreviver ao frio! A sorte é que sou uma pessoa otimista e conto os dias, entusiasmada, para a chegada da nova estação. Logo chegará a primavera e voltarei a ser feliz e trabalhadora!
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Obs.: Espero ter justificado minha ausência no blog! Perdoem, leitores, mas realmente não consigo sair da cama mais cedo!
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