Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

23/6/09

Um apelo ao bom senso

 

            O Ensino Médio deve propiciar a criticidade! A adolescência é o momento de fortalecer o leitor crítico que foi sendo estimulado, ao longo no Ensino Fundamental; transformá-lo em um cidadão capaz de refletir, questionar e, assim, tentar transformar esta sociedade consumista, medíocre, vulgar, que é a nossa atual, em algo melhor. O papel da escola deveria ser este: o de preparar para o mercado de trabalho e para o convívio social pessoas melhores.

            Li na Zero Hora de sexta-feira, 19 de junho, na página 50, Pedofilia, estupro e adultério são temas para estudante? E este texto segue como uma resposta à pergunta feita na matéria. Sim, são, em minha opinião, temas muito pertinentes para serem tratados dentro da sala de aula no Ensino Médio! Contando, claro, com um professor capacitado para estimular o debate sobre a crueldade que circula no país e no mundo.

            A atitude da Secretaria de Educação do Estado de censurar determinados livros por tratar das temáticas supracitadas, me parece inadequada. Se o adolescente convive nesta sociedade brutal, deve discutir sobre estes assuntos em sala de aula, Não há nenhum estímulo aos jovens a exercitar atos de violência nas obras causadoras de polêmica.

            Convém esclarecer que os livros do norte-americano Will Eisner não são livros didáticos e que, antes de chegarem às escolas, foram avaliados por professores da Universidade Federal de Minas Gerais e que fazem parte do Programa Nacional de Bibliotecas das Escolas (PNBE). Ou seja, cabe aos professores conduzir, de modo eficaz, o debate em sala de aula, propiciar o desenvolvimento da criticidade, estabelecer relações dos assuntos abordados nos livros com a sociedade atual. Enfim, realizar um trabalho de qualidade.

              Sou contrária à censura dos livros, pois considero como uma das  funções primordiais do professor a de abrir os olhos dos alunos para a realidade! Tentar cegá-los é absurdo! A vida não é cor de rosa e o aluno deve saber bem disto! Basta folhear o jornal e inúmeros casos de pedofilia, estupro e adultério saltam aos olhos! Portanto, devemos, no espaço escolar, garantir momentos de reflexão aos alunos, a fim de que possam arregalar os olhos  para o mundo caótico e perturbador.

              Espero que os livros não sejam censurados! As autoridades educacionais do estado deveriam se reunir com os professores para conhecer suas propostas de trabalho elaboradas com as referidas obras. E esta ideia não passa de um apelo ao bom senso.

            Por favor, não permitamos fendas nos olhos dos nossos estudantes do Ensino Médio. Estes gaúchos merecem enxergar!

 

criado por joselmanoal    8:29 — Arquivado em: Crônica

15/6/09

Chávez e a Coca-Cola Zero

 

 

           Uma matéria em Zero Hora de 12 de junho denominada Coca-Cola Zero é o novo alvo de Hugo Chávez me levou a refletir sobre a preocupação excessiva do presidente da Venezuela com os Estados Unidos, em lugar de ocupar-se de seu país.

            As atitudes de Hugo Chávez cada vez parecem mais absurdas! Agora resolveu proibir a Coca-Cola Zero com o argumento de preocupação com a saúde de seus compatriotas. Ninguém é tão tolo para acreditar em tal argumento. Outros tantos produtos prejudiciais à saúde, certamente, continuarão sendo comercializados na Venezuela.

            A perseguição ao refrigerante, marca do poderio norte-americano (já nem tão poderoso assim), tem um histórico anterior a este da instituída proibição ao consumo da bebida. O presidente, em março deste ano, já havia tomado um terreno, que funcionava como armazém local para estacionamento de caminhões da Coca-Cola, com o propósito de construção de casas populares. Um projeto habitacional é louvável, mas, com certeza, poderiam  ser encontrados outros tantos locais para a edificação da obra que não, justamente, onde estava estabelecida a multinacional. Anteriormente, em 2005, já haviam sido fechadas fábricas de empresa da Coca-Cola na Venezuela, por 48 horas, por alegação de problemas fiscais.

            A censura à imprensa, muito mais séria que o não à Coca-Cola Zero, ocorreu logo do início do governo chavista. A situação do país se torna mais grave a cada momento. O escritor peruano Mario Vargas Llosa, em visita a Venezuela, declarou sua preocupação com o destino do país nas mãos do atual governo: A ameaça de um blecaute na área dos direitos, liberdade de expressão e liberdade de imprensa cresceu significativamente.

            Segundo dados da UNICEF em 2004: 60,1% da população venezuelana vivia em situação de miséria e 28,1% dos habitantes do país se encontravam em condição de pobreza extrema. Se a miséria permanece no país, em lugar de proibir coca-cola zero, o presidente deve priorizar a criação de projetos para alimentar o seu povo! Pois, então, presidente Hugo Chávez, dê oportunidades de emprego à população, não só aos filiados ao seu partido, estimule a criação de pequenas empresas a todos interessados e não só aos que o apóiam.

               A briga do líder venezuelano com os Estados Unidos não afeta o crescimento ou a crise econômica do governo norte-americano. Não é o consumo excessivo ou proibido de Coca-Cola Zero na Venezuela que exercerá qualquer controle sobre o país. Os malefícios do consumo de refrigerantes são bem conhecidos, mas deve haver tantos outros produtos maléficos que circulam em prateleiras venezuelanas. Um povo que mal tem o que comer, não deve se preocupar com refrigerante!

              Só falta lançar uma bebida venezuelana, com a propaganda de sabor nacional, semelhante à Coca-Cola Zero, para combater o refrigerante do Tio Sam.

             Como bem se diz aqui no Rio Grande do Sul: é uma barbaridade!

criado por joselmanoal    16:57 — Arquivado em: Crônica

10/6/09

Um brinde ao amor!

 

              Felizes os casais que não precisam de datas marcadas para comemorar. Não deveria existir apenas um dia para brindar o amor! Quem encontrou seu pé de meia deve brindar sempre e, principalmente, nas datas que marcaram o romance do casal: o primeiro encontro, o início da relação, o casamento, etc.

             Não sei como funciona agora: será que ainda existem datas pessoais a serem comemoradas? Afinal não há mais início de namoro, com esta história de ficar tudo mudou! Me sinto interplanetária, pertenço ao século passado, onde os meninos ainda pediam em namoro durante a dança de rosto colado, ao som de músicas românticas. Aliás, desconheço como podem viver os adolescentes de hoje sem música lenta!

          Vocês, do século passado como eu, freqüentaram alguma festa de quinze anos, nos últimos meses? Nem queiram ir, é deprimente! Só toca funk com letras vulgares, acompanhado de coreografias igualmente vulgares. Dói na alma de qualquer romântico!

            Tenho certeza que estas meninas que rebolam o créu, gostariam muito de ser tratadas com doçura, ainda que na pista se mostrem de outro modo. Os meninos ficam atemorizados pela exposição feminina. Tudo bem, garotas, sei que os tempos são outros, mas um pouquinho de mistério e sedução, não faz mal a ninguém. 

            No dias dos namorados, os casados também devem comemorar! Após o casamento muitos esquecem de que continuam sendo namorados. Com o nascimento de um novo membro na família, então, surge um momento de readaptação. A maioria dos casais tem dificuldades em administrar a vida amorosa, após a chegada do filho. Acabam esquecendo de que formam um casal, não são somente pais. Uma função não desmerece à outra, devem ser exercidas concomitantemente, o que convenhamos não é nada fácil. Quem já passou por esta fase, sabe bem do que estou falando.

            O tempo deve ser controlado e reservado para algum momento a dois, podem ser apenas algumas horinhas uma vez por semana, uma vez por mês. E para estas ocasiões existem as babás, as avós, as tias, as dindas, as amigas.  E podem ter certeza que a criança também irá agradecer um momento sem os pais grudados ao seu lado. Tal gesto pode contribuir para a independência e a segurança do garoto.

            Portanto, nada de culpar os filhos pelo insucesso do casamento! Cabe aos pais, que são bem crescidinhos e adultos, saber conviver e administrar o duplo papel de pai e marido ou mãe e esposa. A princípio sei que pode parecer tarefa quase impossível, no entanto é compensador exercitar o amor como mãe e como mulher. Podemos e devemos ser mães e amantes!

            Voltando às datas estipuladas, os empresários adoram tais ocasiões! Os gestos de comprar e de vender fazem parte da lei de sobrevivência no sistema capitalista. O que me incomoda é a exacerbação e a falta de lembrança do amor em outros dias. Exemplifico: tem muito casal, por aí, que se chuta o ano todo e no dia dos namorados trocam presentes e jantam de mãos dadas, à luz de vela. Como pode? O amor deve ser cuidado sempre, se houver jantar romântico e presentes na data comercial, tudo bem, mas não devemos esquecer de outros momentos de afeto ao longo do ano.         

          Amor pode ser antigo, mas sempre tem que ser renovado. Amor não pode cheirar a mofo jamais! Aprenda a renovar o seu amor, e se estiver opaco, aprenda a poli-lo como se fosse ouro!

criado por joselmanoal    11:35 — Arquivado em: Crônica, Sem categoria

27/5/09

Doar é legal!

 

 

            A matéria na Zero Hora de 26/05/2009, p. 31 é tão relevante que cabe à escrita deste texto, a fim de sensibilizar mais pessoas para a doação de órgãos e tecidos.

          No Rio Grande há quase 3.000 pessoas à espera de transplantes, segundo dados atuais da Central de Transplantes do RS. A campanha Doar é legal, do Foro Central e da seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), em parceria com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) e Hemocentro de fornecer um diploma a pretensos doadores pode provocar uma discussão sobre um assunto de suma importância.

          Segundo pesquisa encomendada pela ADOTE (Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos) ao Instituto DataFolha, 64% dos brasileiros doariam seus órgãos para serem transplantados após a morte. No entanto, somente 39% conversaram com suas famílias sobre a perspectiva de doar.

          Daí o valor, não apenas simbólico do diploma da campanha Doar é legal, mas também como um modo de afirmar sua posição à família. Já que entre as causas da não doação está o argumento de que o familiar não havia manifestado tal desejo em vida. Portanto, todos os que se dizem doadores: adquiram o diploma ou comuniquem sua decisão aos seus familiares!

          Outro motivo para a não doação está associado a um desentendimento quanto à morte cerebral. Por favor, não se trata de nenhuma forma de eutanásia!

Além disto, há a alegação de motivos religiosos. Aí mesmo é que eu não consigo entender!!! As pessoas de fé, de bem, deveriam ser as mais humanas e preocupadas com o próximo, portanto… Pensem em quantas vidas poderão ser salvas, quantas pessoas aguardam em uma fila de espera interminável por um transplante!

            A doação é um gesto de solidariedade e caberá a um familiar, responsável e humano, oportunizar a alguém uma nova chance de vida. Por favor: ouçam a opinião de seus familiares sobre doação e respeitem o seu desejo.

          Quem assistiu ao filme espanhol Todo sobre mi madre de Pedro Almodóvar, 1999, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, certamente já refletiu sobre o tema da doação de órgãos. 

          A sociedade contemporânea consumista e voltada para o próprio umbigo precisa estar sempre sendo lembrada de que existem pessoas que precisam de ajuda, além do seu mundinho. A lição de solidariedade deve ser repetida. Acredito que talvez a repetição conduza à aprendizagem! Sobre doação de órgãos e tecidos ainda falta informar, conscientizar. Afinal, ensinar sujeitos egoístas a se tornarem solidários não é nada fácil…

          Para os doadores que desejem adquirir seu diploma: o cadastramento simbólico pode ser feito até sexta-feira, 29/05, das 8h30min às 18h30min no saguão do Foro Central de Porto Alegre (Rua Márcio Veras Vidor, 10, bairro Praia de Belas), basta apresentar um documento de identidade.

          Lembrem e espalhem esta ideia: Doar é legal!

criado por joselmanoal    18:06 — Arquivado em: Crônica

18/5/09

Erico, Quintana e o Rio Grande do Sul

 

 

           O Caderno de Cultura da Zero Hora de sábado (16/05/09), abordou com propriedade o tema. O texto de Luís Augusto Fischer é tão coerente e preciso, que até pensei em desistir de escrever este artigo, mas ponderei: sempre é bom enfatizar quando se trata de assuntos nobres como este. Portanto, seguem algumas razões pelas quais o acervo de Erico Verissimo e também o de Mario Quintana deveriam permanecer aqui, no Rio Grande do Sul.

            O Erico Veríssimo talvez seja nosso escritor mais representativo, narrou nossas histórias, nossas guerras, nossas lutas e deveria ficar entre nós. Não quero parecer bairrista e tenho ciência de que a decisão do destino do acervo cabe à família.

         A retirada do acervo de Erico da PUCRS, após a demissão das professoras responsáveis pela organização dos originais, cartas e demais documentos do escritor, foi uma atitude de solidariedade às idealizadoras do projeto, no entanto o material teria sido bem cuidado por outros profissionais da área literária que ali permaneciam!

            Me inquieta saber que talvez tais relíquias literárias, históricas, possam adquirir um novo lar no Rio de Janeiro. Atuei como bolsista de iniciação científica, em idos tempos, no Acervo do Reynaldo Moura e, para tanto, conheci de perto o acervo do Erico Veríssimo. Assisti, presenciei e contribui para o desenvolvimento do acervo de Erico, por isto tanto me incomoda seu possível translado.

           O Rio Grande do Sul já foi uma potência nacional, hoje, cada vez nos envergonha mais. Além de revelações de corrupção, cada dia atingindo um número maior de lideranças do estado, há dificuldades em todas as instâncias: educação, saúde, segurança, etc. E no âmbito da Cultura não é diferente! Que valor se dá ao patrimônio cultural em nosso estado? Esta atitude de enviar dois acervos, pois o de Mario Quintana também está em tratativas com o Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro, revela descaso. Agora a Secretaria Estadual da Cultura, depois que o circo pegou fogo, talvez disponibilize o MARGS ou Biblioteca Pública como espaços para os acervos.

          E Mario Quintana? Não considero justo com nosso poeta, que tem até Casa de Cultura com o seu nome em Porto Alegre, tenha seus documentos transferidos para o Rio de Janeiro.

           Permaneço na defesa de que o melhor local para estabelecimento dos acervos seja o da universidade! Afinal nas universidades se realizam as maiores pesquisas, é lá que estão os especialistas na área literária que poderão dar visibilidade aos referidos autores.

          Tomara que o Rio Grande do Sul aprenda a lutar pelo seu patrimônio cultural!

         Tempos distantes os da Revolução Farroupilha em que se lutava por algo neste estado…

criado por joselmanoal    16:45 — Arquivado em: Crônica

13/5/09

Ritalina

      

           Li uma reportagem que me deixou estupefata: brasileiros, que para aumentar o ritmo e a qualidade de seu trabalho, fazem uso de medicação forte (tarja preta) como Ritalina, ou outras similares, indicada para pessoas com déficit de atenção.

            No mês de maio, que inicia homenageando os trabalhadores, cabe uma reflexão sobre as condições de trabalho do povo brasileiro. A exigência, a cobrança, a competitividade, o medo do desemprego, conduz as pessoas a esta loucura de automedicação para dar conta das tarefas diárias. Causa também espanto o fato deste remédio, que está sendo utilizado indevidamente, só poder ser vendido sob prescrição médica! As estratégias utilizadas para adquirir o remédio são as mais diversas: compra pela internet, pedido de prescrição a amigos médicos, a mentirinha na farmácia de haver esquecido a receita médica em casa, compra de cartelas por pessoas com déficit de atenção, etc. Há até quem pesquise sobre os sintomas de déficit de atenção e consulte um psiquiatra alegando sentir os sintomas pesquisados, vale de tudo para conseguir fazer uso da Ritalina!

            A carga horária de trabalho de 40 horas semanais é a de uma parcela da população de nosso país, muitos cumprem três turnos de atividade laboral somando, muitas vezes, 60 horas semanais. Sem contar jovens e adultos trabalhadores que estudam no horário noturno! Se considerarmos estudante como profissão, como o fazem os países desenvolvidos, este índice de carga horária de 60 horas semanais aumenta significativamente.  E muitos ainda insistem em chamar o povo brasileiro (desculpem o adjetivo) de vagabundo! O mais triste é que esta mesma população que paga inúmeros impostos, pedágios e taxas governamentais abusivas, mantêm no poder líderes que roubam descaradamente. O que falta ao povo brasileiro é, sim, aprender a votar e a protestar, mas isto já é assunto para outro texto…

             A pressão, a que são submetidos os trabalhadores brasileiros, leva a problemas de saúde ou ao uso de artifícios para driblar o cansaço, como medicamentos inadequados. Importante alertar que as drogas não estão sendo consumidas somente por adultos, há muitos adolescentes tomando Ritalina e que não apresentam déficit de atenção. A ideia que se propaga é de que os usuários da referida droga ficariam mais inteligentes, quando na verdade, o que ocorre com a utilização da droga é um melhor aproveitamento nas tarefas diárias, o ganho se dá no campo da concentração, velocidade e disposição.  Um dado alarmante é o número de integrantes em comunidades no Orkut cerca de 20 dedicadas à Ritalina somando um total de 5 mil participantes aproximadamente.

            Em um mundo que conhece a inteligência emocional, as pessoas não deveriam preocupar-se de modo tão exagerado, obsessivo com aumentar o saber cognitivo tão-somente, o saber relacionar-se com o outro, trabalhar em equipe, conhecer suas próprias habilidades, ter ética e dignidade é que deveriam ser exercícios diários. O consumo de drogas, tarja preta, não deveria ser concebido como forma de salvação pessoal, como garantia de excelência em seu desempenho profissional. Investir em si mesmo e em suas potencialidades continua sendo o melhor caminho.

 

 

criado por joselmanoal    16:27 — Arquivado em: Crônica

29/4/09

Sobre o trabalho

 

            Felizes os que trabalham e conseguem estabelecer uma relação profunda e apaixonada pelo seu fazer. Felizes os que ultrapassam a relação modesta de emprego como sustento econômico e ponto final! Uma pequena parcela da sociedade vê sentido em seu trabalho como algo capaz de transformar a sociedade, a grande maioria se preocupa, apenas no controle de seu saldo bancário. Poucos profissionais atuam pensando no outro! O egoísmo, a visão estreita da atuação profissional, o olhar contemporâneo, voltado tão-somente para o próprio umbigo, pode explicar o caos social.

          Os artistas (não me refiro aqui aos sujeitos globais, midiáticos que estampam as edições da revista Caras), mas a aqueles que estão batalhando para publicar livro, para realizar exposição, para encontrar patrocínio para peça teatral, enfim os desconhecidos talentos que por aí vagam e são muitos, têm outra concepção de seu fazer. Até porque viver de arte, em nosso país, é coisa para valentes lutadores, para verdadeiros gladiadores a lutar contra a sociedade moderna que supervaloriza o aparente e reserva pouco espaço ao profundo. A arte pode transformar o rumo de vida das pessoas, como bem mostra o filme Contratempo!

          No dia 1º de maio, cabe uma reflexão sobre o trabalho que pode e tem que ser o sustento econômico, porém não só! O sujeito tem que valorizar sua função, ver sentido em seu emprego. Do contrário, a frustração tomará conta da vida do profissional. Qualquer profissão é digna, cabe a aquele que a exerce ter esta clareza.

          Se todos executassem sua função pensando em equipe, entendendo a sua atuação profissional como um fazer social e, portanto, valorizando seu emprego, a vida seria muito diferente. O cerne da problemática está justo no desempenho profissional do empregado, que na busca desenfreada pelo poder, perde mais tempo investigando o trabalho alheio e encontrando imperfeições no trabalho do outro, do que se preocupando em executar suas tarefas de modo exemplar.  

          A ética nunca esteve tão em pauta como hoje, porque cada vez mais o cidadão age em benefício próprio e, se tiver que tirar o tapete de alguém, o faz sem questionar. A luta travada dentro de escritórios, empresas, organizações é absurda, todos querem governar, estar no topo, não necessariamente pensando no bem comum, e sim no seu bolso. O problema maior surge, para as lideranças, no momento de descer do pedestal.

          Outro aspecto agravante,  imposto pela sociedade, é o das diferentes categorias, status, níveis de profissões, inclusive em âmbito de ensino superior. Explico melhor: dentro das universidades, alguns cursos são considerados nobres e outros são tidos como menores. Há alunos que se sentem superiores aos de cursos de Licenciatura, por exemplo. Acadêmicos das faculdades de Licenciatura, por favor, ouçam a voz de uma professora: podem orgulhar-se de sua profissão futura, capaz de transformar, e muito, a nossa sociedade! Revistam-se de auto-estima, ela é primordial para a satisfação profissional.

          Parabéns, trabalhador! Espero que o seu emprego, além do sustento econômico, possa lhe trazer alegria e que você enxergue a importância de seu trabalho com um bem social!

 

criado por joselmanoal    15:17 — Arquivado em: Crônica

22/4/09

O prazer de ler

 

            Abril é o mês do livro! Dia 18 é o Dia Nacional do Livro Infantil, data do aniversário de Monteiro Lobato. Um autor que teve como preocupação mostrar o Brasil às crianças, recontou nossas lendas, criou os inesquecíveis personagens do Sítio do Picapau Amarelo e narrou aventuras em um espaço de nosso país. Trouxe o Brasil aos pequenos brasileiros que antes só ouviam histórias de príncipes e rouxinóis em um país muito distante… Um ilustre cidadão que merece a homenagem!

            Dia 23 é o Dia Mundial do Livro. Dia de São Jorge, dia das rosas, data da morte do espanhol Miguel de Cervantes, o maior escritor de todos os tempos e lugares. Trouxe ao mundo as figuras de Dom Quixote e Sancho Pança e com eles uma reflexão plenamente atual sobre a vida. Em princípios de maio de 2002, uma impressionante comissão de críticos literários de várias partes do mundo escolheu o livro Don Quijote de La Mancha, como a melhor obra de ficção de todos os tempos.

            Então no mês do livro, minha homenagem a este objeto mágico, capaz de transportamos a diferentes épocas e espaços. Pena que nem todos apreciem esta viagem, nem  todos conhecem o prazer, o deleite da leitura.

           Como deve ser infeliz a vida de um analfabeto! Hanna Schmiltz, papel interpretado    por   Kate     Winslet    (Oscar de Melhor Atriz)   no  filme  O Leitor (EUA/Alemanha, 2008, direção de Stephen Daldry), baseado no livro homônimo de Bernhard Schlink, retrata a vergonha descomunal, de quem não sabe decifrar o mundo das letras. Mas, revela, também, o deslumbramento da personagem ao percorrer a fascinante viagem da literatura, não mais através de um leitor, mas com os seus próprios olhos, na solitária cela de uma prisão.

            A arte pode recuperar o ser humano! Os livros ajudam a enxergar a sociedade e a compreender a vida de um modo menos singelo, menos comum, menos ingênuo, mais crítico, mais inteligente. Me refiro às obras sérias, não a livros de auto-ajuda com receitas prontas de bem viver, fórmulas de sucesso emocional e/ou financeiro, que, em sua maioria, não passam de verdadeiros engodos para aprisionar ainda mais o sujeito em sua estreita visão de mundo.

           Todos podem se transformar em sujeitos leitores, basta encontrar o seu livro! Impossível que com tantos textos interessantes e de estilos tão variados não haja um que lhe agrade, um em que haja identificação. O problema é a preguiça do século XXI. A televisão pode ocupar um espaço na vida das pessoas, porém, jamais a imagem dada, pode ser comparada àquela produzida pela imaginação. A literatura valoriza o leitor, a televisão, por vezes, o despreza.

           Acredite: ao virar a página ou ao tocar o mouse (porque o livro pode ser virtual), você poderá viver momentos de emoção e de encantamento. Se nada disto acontecer, escolha outro texto. O livro deve conter páginas encantadas, se não for assim, não serve!

           Busquem seus livros e se encantem!

criado por joselmanoal    20:13 — Arquivado em: Crônica

16/4/09

Sobre Educação

Como escrevi três textos, quase consecutivos, sobre Educação, prometo silenciar por um tempo sobre este assunto. E desculpem o meu repeteco temático!!!!

criado por joselmanoal    15:36 — Arquivado em: Sem categoria

Por uma escola sem muros

 

 

            Após a assistir Entre os muros da escola (Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008) pude constatar que a relação alunos x escola não é problemática e distante, apenas no Brasil. Na França, a insolência dos alunos parece um pouco menor do que a dos alunos brasileiros, mas a incompreensão dos discentes diante do aprender é a mesma. Desconhecem o porquê devem ser ensinados e aprendidos determinados conteúdos.

            O filme é muito lento, monótono e repetitivo, por isto muitos abandonam a sala do cinema antes do término da sessão. Como o filme todo se passa entre os muros da escola, se pode compreender que a monotonia e a repetição, presentes na tela, talvez sejam as mesmas de uma sala de aula verdadeira.

            Há uma cena em que um professor frustrado entra, aos gritos, na sala dos professores, um sinal de desespero que, muitas vezes, presenciamos em contexto escolar. Afinal, após horas de preparação de aula, aceitar o fracasso do planejamento não é fácil!

          Na tela, em um momento de reunião escolar, as mães representantes questionam a posição do corpo docente e do diretor em priorizar novas formas de punição aos alunos, em lugar de premiar os bons estudantes.     Encontramos, nesta cena do filme, o mesmo desacerto, a mesma interrogação que os educadores vivem nas escolas brasileiras. O que fazer para melhorar a disciplina, a atitude e o interesse dos alunos? Alguns docentes se desesperam na preparação de suas aulas e não encontram maneira de  motivar os alunos ao aprender. Agora há esta cobrança de que o professor tem que motivar, tem que ser amigo do aluno. A função do professor é ensinar, se quiser ser amigo do aluno também, ótimo! Motivação, o sujeito deve carregar consigo, se quer ser alguém na vida.  Ninguém motiva ninguém! Se o aluno não quer aprender, não há mestre que consiga ensiná-lo. Aos pais cabe a tarefa de educar, na escola, os professores só enfatizam as lições aprendidas em casa sobre valores morais.

          Houve um tempo em que a voz do professor era respeitada e que os pais não questionavam tal autoridade, além disto nesta época também a escola defendia o seu corpo docente. Não tenho saudades de palmatória, nem de joelhos no milho, mas sem dúvida o mundo era outro. Não havia dislexia,  hiperatividade, bulimia, anorexia! Em que momento os educadores perderam a autoridade, a credibilidade e o respeito?

           Voltando ao filme, na tela parece tudo muito real, nos sentimos mesmo dentro da sala de aula, o que provoca um certo baixo astral na saída do cinema. Será esta a mesma tristeza sentida por professores e alunos ao término das aulas?

          Tomara que a escola retire seus muros e enxergue um pouco melhor o universo caótico que contamina a juventude do século XXI. Sem dúvida, é na família que está a raiz, a base da educação, a escola só deve reforçar os valores aprendidos em casa. Portanto, pais assumam o seu papel com seriedade, para que os professores também possam exercer sua função dignamente!

 

Publicado no Jornal Zero Hora, 18/04/2009, p. 17

criado por joselmanoal    15:33 — Arquivado em: Crônica
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