Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

16/11/09

Carta aos quarenta

Erechim, 9 e 10 de novembro de 2009

Chegar aos 40 é bacana por ter conhecido, ao longo destes anos, tanta gente querida, vocês. Quero agradecer a todos que estão aqui.

Tenho que agradecer de modo especial aos meus pais, afinal a eles devo a vida. Meu pai diz que eu fui feita na rede lá do Pinhal e por isto gosto tanto de praia, minha mãe nega. Mas pouco importa os detalhes da minha concepção, não é mesmo?

Aos meus pais que me ensinaram a ter valores morais, a acreditar em Deus e na vida e a buscar ser feliz, agradeço muito.

Obrigada pela vida, pela paciência, pelo amor, etc, etc, etc.

Meus manos queridos, que feliz eu sou, por sentir-me unida e amiga dos dois. São tão diferentes e tão especiais. A Josi é um pouco minha mãe, o João talvez seja um pouco meu filho. É a vantagem de ser a do meio. Sou muito ligada aos dois.

A Josi sempre tão falante, na adolescência tão cheia de faniquitos, mas sempre tão preocupada comigo. É dona de um coração gigante, poucos são generosos como ela.

O João tb é um amor, uma doçura de guri, sempre com as roupas com as cores combinadinhas, quase um metrossexual. Às vezes estressado e nervosinho. Acho que confia em mim o que muito me alegra, grande companheiro e amigo é este menino.

O Rogério me conheceu aos onze anos, sem dúvida é alguém da família! Como ele falava, e continua a falar, portunhol diz ter influenciado em minha escolha profissional, bem até pode ter sido mesmo…

A Ana é a Ana meiga, a Aninha que chegou na família depois, mas sempre me pareceu muito de casa, prestativa, delicada, querida. E cada vez mais bonita. Sem ela e a Gisele, dinda da Clara, que é pura festa e alegria, e quase da família também, a decoração desta festa não existiria. Obrigada meninas!!!!!!

Tenho que agradecer ao Jackson pelo convívio harmonioso. Na semana passada ele me perguntou se eu pensava, quando começamos a namorar, que chegaríamos juntos aos quarenta. Claro que sim, aos 16 já sabia muito bem o que queria da vida. O Jackson, tolinho, não imaginava que ia dar nisto!

A Sophia, meu presente encantado, foi super planejada e é um amor de criança, educadíssima – mérito do Jackson, devo admitir. Minha vida mudou depois da Sophi e mudou pra melhor. Quando a Loira não está, a casa é vazia e silenciosa, até a Kika fica deprimida em sua casinha.

Ah! A Kika, minha filha peluda, eu que sempre relutei em ter animais de estimação, me vejo agora falando com uma cadela como se fosse uma criança. Aprendi a gostar de cães com o Jackson e com a Sophia.

E falando em cachorrinhos, lembrei da minha Tia, que sempre adorou bichinhos, a Janete.

A Tia Janete com sua voz alta e a Tia Ivone com sua fala mansa, uma determinada e a outra delicada, ambas grandes doceiras, são uns amores cada uma a sua maneira.

O Tio Jainor, ah, é o meu tio bonitão, alegre e falante. Entendo, perfeitamente, porque muitas mulheres suspiram ao vê-lo passar, com todo respeito à Ivone que também é muito bonita.

Meus primos: Janilce, Josandra, Josângela, Joselaine e Joe Luís que fizeram parte da minha história, principalmente na minha infância. A Nica que me maquiou no meu aniversário de 15 anos, a Josângela minha inseparável companheira nas brigas e disputas contra Josiane e a Josandra, a Jose a quem levei ao show do Menudo e o Joe que, como o pai, sempre foi um gatão!

Da minha amizade com a Josângela teria muito pra contar, mas para encurtar a história vou mencionar apenas algumas palavras-chave: pitanga, goiaba, Dancing Days e As Panteras.

Depois vieram outras lindas meninas: Maria Eduarda, Júlia, Juliana, Jordana, Rafaela.

Meus sobrinhos: Laura, Clara, Enzo e Igor – paixões da minha vida.

Laura, sobrinha e afilhada, ao nascer era tão pequeninha que a gente tinha medo ao pegá-la no colo de rompê-la, já parecia uma jóia preciosa, um diamante, como na verdade o é. Menina delicada, sensível e amorosa.

A Clara que é a mais pura sapequice e me comove, amorosa, com seus beijos repentinos, suas surpresas carinhosas.

Ambas chocólatras como a Tia Joselma, o que muito me orgulha!

E os guris? O Igor e o Enzo sempre aprontando alguma, com algum curativo e algum galo na cabeça, com aquelas carinhas mais fofas. Quase chorei quando a Caissie outro dia perguntou onde estava a Tia Joselma e o Igor me olhou com aquele ar de malandro e o Enzo nem aí, distraído, se negou a responder, mas sei que ele tb sabe quem é aquela de óculos, louca de amor por eles.

A família do Jackson acabou virando um pouco minha. Este negócio de dizer que a gente não se casa com a família do outro é a mais pura mentira! A minha sogrinha sempre me pareceu muito especial, mas, depois do nascimento da Sophia, a gente ficou muito mais unida. Acho que o amor pela Loira nos tornou mais companheiras e a nossa amizade aumentou bastante. É uma segunda mãe.

Com a Giesa, o Jeferson e a Caissie a amizade e o carinho foi surgindo aos poucos e foi se intensificando com o convívio. Já o Aliatar me conquistou de cara, e sei bem o motivo: porque é muito parecido com o Jackson e com o meu irmão, divertido e comilão. Aliás tenho até medo quando os três se juntam.

Bem, o Beto, tá entrando agora na família, mas já ganhou o apelido de Papi, o que revela um tom carinhoso para com aquele que tem por missão fazer mais feliz a minha Sogrinha. E a gente tá de olho, viu?

Ah! Não posso esquecer da Claudinha, a Claúdia Maria Pinóquio Morango Merengue Descabelada, afilhada de batismo de meus pais, que é como se fosse da família, uma ruivinha inteligente, atrevida e moleca, que eu adoro desde que nasceu!

E tem a família do Rogério, que como está na família há tanto tempo com seu belo ar hispânico, tb parecem um pouco da nossa família: Rogério, Rosângela, Jorge, Tiago, Rosi, Kiko, Andressa, pessoas com as quais vale a pena conviver pelo carinho, amizade, comilança e diversão certa!

Bem, agora vou falar sobre os amigos.

Tenho que agradecer ao Papai do Céu porque tenho familiares amigos e outros tantos amigos, de diferentes turmas e todos sensacionais!

Vou começar pela Clarissa porque é a amiga que conheço há mais tempo e que eu amo demais, apesar de nos encontrarmos tão pouco ultimamente. A gente se conheceu aos dez anos, no Colégio Santa Teresa de Jesus. Fomos colegas da 3ª até a 8ª série. Aprontamos muito juntas, mas o mais hilário foi uma atitude de patetice de pegar o ônibus pro lado errado, aos treze anos, voltando da casa do namorado da Clarissa. Nossos pais já desesperados, chamaram até a polícia. Uma vergonha que a gente hoje conta com orgulho e risada, afinal nem todo mundo tem uma história como esta pra contar. E até porque os nossos irmãos não nos deixam esquecer o passado imbecil…

Fazia um tempão que não via a Clarissa e mal conhecia o André, quando em 1999 ficamos hospedados na casa deles no Rio de Janeiro, (baita cara de pau!), e fomos tratados como reis pela dupla. O André, que me parecia um alemão tão sério, se mostrou muito divertido. Eu bem sabia que a minha amiga só podia ter casado com um cara bem bacana mesmo!

Seguindo, na ordem dos conhecimentos: A Graça Patrícia, a quem apelidei de Duda, que coisa mais maluca, né? Bem, a Duda eu também conheci no Colégio Santa Teresa de Jesus na 8ª série. Ficamos muito unidas, consegui até convencê-la a trocar de colégio pra fazer o Técnico em Nutrição, ela estava determinada a fazer Magistério. A ironia da vida: hoje a Duda é nutricionista e eu, professora. Minha companheira inseparável, a gente só não se casou, pq gosta de homem mesmo, embora o Jackson e o Rossano continuem perguntando se a gente não teve um caso. Que barbaridade!

A Luciane eu conheci no Cônego no tal curso de Nutrição, no ônibus a caminho da escola. Simpatizei com ela de cara, ao chegar na sala de aula, lá estava ela, a sorridente do ônibus. A Lu é mesmo uma simpatia, apesar do mal humor às vezes. Minha companheira de saídas noturnas aos sábados, de campings e picadas de inseto, de pastel, de sorvete, de muita conversa, de muito choro e de muita risada. Tudo muito, porque somos exageradas mesmo!

Da comunidade do CLJ, nunca perdi o contato com algumas das gurias: Miriam, Mariglei e Nadir. A Mari me convidou até para madrinha de Crisma, quanta honra! Tão delicada, mimosa e elegante esta menina! A Miriam, minha confidente, uma pessoa que sabe escutar e falar o necessário, difícil encontrar alguém assim! A Nadir andou afastada da Turma, mas agora a gente não vai mais deixá-la escapar! Tão intelectual, forte e bela é esta mulher.

Os guris: Rossano, Flávio, Marco, Ricardo acho que foi nesta ordem que os conheci, por sorte minhas amigas sabem escolher uns maridos muito queridos.

Ricardo Bob Esponja e Marquinho meus visitantes amorosos que me trazem flores na chegada a Erechim. Aliás, tô esperando a visita!

Andressa, Gabriel, Valentina, Mariana, Amanda, são por mim muito amados, filhos de amigas quase irmãs.

No CLJ conheci o Afonso, grande figura, responsável, inteligente, queridíssimo, meu companheiro de Oficina Literária. Muitos almoços no centro de POA, com a autorização da Neuza, que é uma mulher fantástica. As filhas: Clara e Alice como não podia deixar de ser são um exemplo de educação. E a ele devo muito desta festa hoje.

E nestas andanças, a Bete, que não era do CLJ, acabou entrando pra Turma, minha dinda e minha afilhada de casamento. Uma das pessoas mais agitadas e animadas que conheço, casou com o Clécio que é uma calma e uma doçura só, tb pudera pra agüentar esta maluca! Uma família muito divertida: Clécio, Bete, Tuila, Lucas e Luana.

Seguindo a minha lista de amigos: Zeno, Jé, Peter, Quiroga e de novo o Rossano, acho que conheci alguns na Santa Flora. Outros em uma Festa Junina, né? Uns meninos talentosos que cantavam e dançavam como poucos. O Rossano não cantava, só cantou a Duda mesmo! Quantas reuniões dançantes no apto da Dona Célia! Companheiros em momentos de fossa e de festa como no aniversário de 15 anos da Lu que eu fui pro banheiro chorar, pq o Mario Luis Salgado, um colega de aula por quem estava apaixonada na ocasião, ficou com a Maria, a guria mais feia da festa. Que desilusão! Lembro dos guris batendo na porta, me consolando e ordenando que voltasse pra festa e pra pista de dança com eles. Que tola era eu naquela época, querer dançar com o Mario na companhia dos melhores dançarinos da festa.

A Turma do Jackson: Iuri, Nildo, Rodrigo, Guilherme, Sandro, Maifruz, Tuio, na verdade eu achava os meninos meio bobinhos e depois que passei a conhecê-los melhor tive a certeza de que eram bobos mesmo, mas muito queridos tb e percebi que havia uma dose de Inteligência e cultura em meio à bobice! O tempo passou, hoje os bobos são profissionais de diferentes áreas e continuam os mesmos fofos de sempre. Bem, alguns bem mais fofos…

As namoradas mudaram bastante, a Patrícia continua firme, como eu, a ouvir as mesmas histórias de acampamentos e, o pior, achando graça pela milésima vez. A Patrícia e a Luana, belas garotas, que fazem da vida do Nildo Júnior algo muito especial.

As esposas dos meninos, tanto da turma dos cantores-dançarinos (Zeno e cia) como da Turma do Jackson (Gasol), não conheço tão bem, mas são mulheres de grande sorte porque estes guris valem ouro e por tê-los conquistado, vocês já tem minha admiração e simpatia!

Voltando aos bobos, o Iuri acabou sendo nosso compadre, dindo da Sophia. A Lea eu já conhecia e reencontrei como namorada do Iuri, que gringa maravilhosa esta, o Polaco tem que agradecer a Deus todos os dias, porque ele é chato e a Lea é um amor. Mas o Iuri, apesar de chato, é uma pessoa excelente, grande educador, inteligente, etc. Não vou elogiar mais, porque ele fica, insuportavelmente, exibido! O Dimitri e a Victoria tb moram no meu coração.

E falando em Gringa, o Claudinho acabou casando com uma, bem legal também. Então vou aproveitar para falar dos Meneghinis, que são quase irmãos do Jackson, quase meus cunhados: Leandro, Cláudio, Pedro, grandes meninos estes filhinhos da Dona Cleo.

O Leandro, companheiro de inúmeras aventuras e farofadas, readquiriu a alegria ao lado da Alessandra, mulher brilhante que o ensinou como é ser feliz de verdade.

O Pedro, meu amigo formiga, trabalhador estressado, hiperativo e festeiro, o zoiudo mais bonito do planeta. E a Patrícia, que é uma guria gente boa pra caramba, fisgou o zoiudo bonitão.

O Claudinho, sempre faceiro e animado, acabou nosso compadre. A Nicole hoje com quinze anos, nossa primeira afilhada de batismo, um amor de menina. À medida que o tempo passa mais orgulho temos da bela Loira, a quem todos acharam horrível na Maternidade, só a Dinda Joselma achou-a linda desde sempre. Do Rascunho, do Mala, eu não vou falar, porque estou conhecendo hoje, mas pelo que investiguei parece ser um bom menino. E não pensa que vai pegando a Loira assim, sem uma entrevista com os Dindos!

Outros Meneghinis por mim muito amados: Meline, Lorenzo, Giovana, Leo, Ricardo, Paola, Thaís, Raíssa e Laura.

Bem, quando resolvemos nos mudar da Marcílio Dias para a Dona Zulmira a minha grande motivação (digo minha, pq a do Jackson desconheço!) era morar perto dos meus pais, da Clarissa e da Duda. Mas, além destas amigas, descobri outros tantos amigos no Condomínio Santa Flora.

Então vou falar um pouco da Turma do Condomínio: gente parceira de festa, de churrasco, de chimarrão, de Feira do Livro. Quando nos mudamos para Erechim, a nossa grande tristeza e certeza: jamais encontraremos vizinhos iguais a estes! Deixamos a herança para a Sogrinha, afinal ela merece!

Na primeira visita ao Condomínio, já me chamou atenção a simpatia da Sandra, mas não imaginava que ficaríamos tão amigas. A Priscila ter nos convidado para Dindos de Crisma foi comovente e nos uniu ainda mais. A Sandra e a Pri são como da família mesmo, não imagino minha vida sem elas do meu lado.

O Cássio, a Ana, a Mariana, o Rafael, a Manuela, o Cleiton, a Vera, o Gabriel, o Totti, a Terezinha, a Cíntia, o Leandro, o Marcelo, a Valéria, a Roberta, o Pedro conviver com estas pessoas e pessoinhas faz bem a alma e ao coração.

E em Erechim, também fizemos amigos. Reencontramos o Delnei, fotógrafo do nosso casamento, e nos fizemos mais amigos, juntamente com a Geovana que é uma excelente companhia e cozinheira de mão cheia! Tá o Delnei tb faz um carreteiro de charque maravilhoso, pra ele não ficar com ciúme. Aliás o que a gente mais faz em Erechim é comer, a falta de atividades culturais dá nisto!

E até amigo argentino a gente encontrou em Erechim, pra ver o que é a vida! Lucas que é um tipo convencido, como qualquer um de sua espécie, mas é alegre, brincalhão e cozinha magnificamente. A Sibele que muito me ajuda com a Sophi, uma pessoa ótima, com quem sempre se pode contar e eu literalmente, conto!

A Jô, grande companheira de pista de dança, animada e festeira. E o Fernando, maravilhoso sushi man, divertido e gente boa. Amigos mais recentes, mas não menos importantes para mim.

Bem me disse minha mãe, quando lamentei a dificuldade de fazer amigos erechinenses, então te unas forasteiros, filha! Deu certo, mãe sabe mesmo das coisas! Desta turma, só o Fernando é erechinense, o resto é forasteiro mesmo!

O Arthur, a Luiza, a Malena, a Caterine e a Amanda são uns docinhos que recheiam a minha vida de alegria.

Finalizo a carta aos 40 afirmando a minha emoção em tê-los ao meu lado nesta noite de festa e agradecendo, mais uma vez, a presença de todos!

criado por joselmanoal    20:01 — Arquivado em: Sem categoria

4/11/09

Melhores momentos - parte 1

 

          Após quase um mês de ausência do blog (que vergonha!) tenho muitos assuntos a tratar.  Na verdade assuntos nunca me faltam, o que me faltou mesmo foi organizar melhor o meu tempo nas últimas semanas. Tarde cultural, Seminário de Iniciação Científica,…

          Estive participando da Jornada de Literatura em Passo Fundo e é difícil selecionar o que de melhor escutei. Muita gente fascinante, não sei onde os organizadores descobrem palestrantes tão qualificados e comunicadores. Ocorrem comumente algumas decepções dos leitores com os escritores, às vezes a diferença é gritante, entre o ler e o ouvir falar, tudo bem, afinal ninguém tem a obrigação de ser eficiente e dominar ambos códigos (escrito, falado). Mas na Jornada a maioria dos conferencistas e debatedores estava formada por verdadeiros comunicadores, alguns pareciam até animadores de auditório, pelo entusiasmo, alegria, desinibição e performance.

          O tema oportuno Arte e tecnologia: novas interfaces, a discussão válida, o que fica do mega evento de Passo Fundo é a certeza de que a literatura como expressão artística jamais morrerá, o formato, o suporte utilizado pode até vir a ser outro, pouco importa, nada que a gente não aprenda a lidar. Afinal não éramos nós os mesmos que hoje escrevemos na maravilha do teclado do computador, os que usavam máquina de escrever? E a geração dos cadernos pautados e das canetas tinteiros? A gente acostuma, o ser humano se adapta.

          Alguns momentos da Jornada:            

          Fiquei encantada com o formato dos novos museus criados por Marcello Dantas, reconhecido talento como curador de exposições e diretor de documentários. Tenho que visitar Baranquilla e ver de perto a cultura colombiana pensada por Dantas com a colaboração de Gabriel García Márquez. A música, a culinária do país em uma tecnologia fascinante, em um lugar que jamais sonhara com um museu. Levar a arte aos diferentes espaços parece ser uma causa nobre e levada a sério por este palestrante.

           Temos que ler, e divulgar as crianças para que também leiam, a tradução de Jorge Furtado para Alice no país das maravilhas. Um livro que motivou os estudos de língua inglesa do cineasta que sonhava traduzir a obra. Pelo visto o fez com mérito!

           Guillermo Arriaga o mexicano roteirista de Amores perros, 21 gramas e Babel também superou as minhas expectativas, que eram grandiosas, falando sobre a condição humana, a consciência de finitude, a certeza da morte e a valorização da vida. Um sujeito humano, humilde, preocupado com questões sociais e disposto a divulgar sua arte pouco conhecida no Brasil. Relatou uma ocasião em que lhe perguntaram quando voltaria a fazer literatura, afirmou o que sempre pensei, que jamais abandonara a literatura, pois o cinema escrito por ele é literatura.

           Nossa, tantos momentos importantes na Jornada… Outro dia dou continuidade aos melhores momentos.

criado por joselmanoal    14:33 — Arquivado em: Crônica

7/10/09

Cigarra argentina

 

            O verdadeiro artista jamais morre, sua obra garante a eternidade. Mas mesmo assim lamentamos, principalmente quando parte alguém que fez show no ano passado e a gente não assistiu. Vou lamentar para sempre não ter aplaudido ao vivo Mercedes Sosa em Porto Alegre.

            Mercedes Sosa era de uma grandeza humana e artística extraordinárias, porta-voz da América Latina em tempos de ditadura, época marcada por censura e opressão. Membro do Partido Comunista foi presa juntamente com a platéia em um show na cidade universitária de La Plata, em 1979. Após a prisão viveu como exilada, em Paris e em Madrid, retornando à Argentina somente em 1982. Nunca houve impedimento judicial para entrada e saída de Mercedes Sosa na Argentina, porém estava proibida de cantar em seu país. O que para um artista é o pior castigo!

La Negra cantou por justiça, falou simples e bonito. Não era cantora erudita, embora sua voz pudesse caracterizá-la assim. Era considerada cantora popular e sua voz já deve ter sido ouvida por todos os povoados e metrópoles latino-americanas. Claro não era reconhecida só por estes pagos, sua voz foi ouvida e admirada também nas nações ditas desenvolvidas. Prova está nos prêmios recebidos: em julho de 1989 recebeu a medalha da Ordem do Comendador das Artes e das Letras concedido pelo ministério de Cultura da França. Em outubro de 1996, na Alemanha recebeu o Prêmio da UNESCO pelo Conseil Internacional de la Musique, prêmio destinado a músicos de todo o mundo de destaque pessoal e profissional. No entanto, insisto na importância de Mercedes Sosa para a América Latina pela identificação e pelo desejo de cantar que a impulsionava, queria gritar pelos que tinham de silenciar no auge da ditadura nos anos 70.

            A repetição da palavra libertad não é mera casualidade em suas canções, afinal Mercedes Sosa protestava através de sua voz. A arte pode ser política, sem deixar de ser arte!  No caso da intérprete argentina o valor de suas canções não é minorizado pela causa defendida.

            Ao longo de sua carreira recebeu vários prêmios entre eles, destaco alguns, o mais recente, em 2000, o Grammy Latino como melhor interpretação de uma obra musical. Em abril de 1992, Mercedes Sosa foi declarada Cidadã Ilustre da Cidade de Buenos Aires e 1996 recebeu em Porto Alegre a Medalha Simões Lopes Neto.

            Cidadãos do mundo se despedem de Mercedes Sosa com eterna admiração e com a certeza de que La Negra segue seu vôo como cigarra, como pássaro livre que sempre foi!

criado por joselmanoal    15:22 — Arquivado em: Crônica

23/9/09

Algo está fora de ordem na educação!

 

            Quem nunca se excedeu no uso das palavras? Em momentos de raiva, o que é absolutamente humano e, portanto, compreensível, falamos uma palavra indevida, insultamos devido à rapidez com que as palavras nos escapam. Não sei se com vocês ocorre o mesmo, mas comigo acontece assim: falo mais rápido do que normalmente quando estou indignada, talvez a psicologia possa explicar… Digo isto em virtude da polêmica causada pelo vocábulo utilizado pela professora e vice-diretora Maria Denise Bandeira da Escola Estadual de Ensino Médio Barão de Lucena na Vila São Tomé em Viamão ao chamar de bobo da corte um aluno que havia riscado a parede da sala de aula, assunto este amplamente abordado pela mídia nos últimos dias.

            Há vinte anos, quem sabe até dez anos, não haveria nenhuma polêmica no caso relatado, o aluno pintaria as paredes e ouviria o bobo da corte e pronto. A professora errou em insultar o garoto, sim e, inclusive, já se desculpou pelo uso indevido da palavra. Já, quanto à punição, nada há para se arrepender ou desculpar. Se o aluno sujou a parede, deve pintá-la novamente. Incontestável! Não há nada de grave nisto! Nenhum pai contestaria nos anos oitenta, com certeza.

            Houve filmagem da cena de humilhação. Registro aqui uma sugestão de que sejam instaladas filmadoras em todas as salas de aula em escolas públicas e privadas de nosso país. Os pais que costumam defender seus garotos, sejam eles pichadores ou não (porque escrever o nome em uma parede é um ato de pichação, de depredação do bem público), se assustariam com as atitudes de seus filhos. Bobo da corte não é nada, comparado aos insultos diários sofridos por professores!

            Em que momento os alunos passaram a comandar a sala de aula? Algo está fora de ordem na educação! A questão da autoridade e do respeito. Professor é a autoridade da sala de aula e deve ser respeitado! O aluno pode manifestar sua opinião, ter seu espaço como cidadão crítico e consciente, mas jamais deveria questionar as ordens dadas. Os pais desta geração de estudantes foram educados de modo muito punitivo, conviveram com a ditadura, com a censura, quiseram educar seus filhos de um modo mais livre e o equívoco desta criação estamos vendo diariamente no espaço escolar e na sociedade.

            As escolas promovem inúmeras palestras sobre os limites, ou melhor, sobre a ausência deles, no entanto ações como estas não são suficientes, pode ser que os pais compareçam aos eventos, podem até achá-los lindos, no entanto em suas famílias permanecem a viver na mesma desordem.

            Como fazer as coisas voltarem aos seus devidos lugares? Não sei! Escrevo porque sempre penso na escrita como uma arma, como uma maneira pacífica de tentar defender ideias. E uma das causas que eu defendo é esta de que pais e professores permanecem autoridade no século XXI!

 

 

 

 

criado por joselmanoal    15:32 — Arquivado em: Crônica

11/9/09

Literatura para melhorar o astral

            O clima influencia profundamente o humor das pessoas! Há mais de uma semana chove na cidade onde moro e a expressão revelada no olhar dos quase peixes já não é a mesma. Talvez não devêssemos levar tão em conta o que acontece com o tempo atmosférico, mas não enxergar o sol, afeta, e muito, o humor dos seres humanos.

            Em meio a toda chuvarada e o meu afetado humor comprei um livro destes pockets baratinhos, entrei na livraria para comprar uma revista com minha filha, e não resisti a Dez (quase) amores da Claudia Tajes. Por apenas doze reais parece que consegui espantar a tempestade ao rir um bocado. Li em um dia, não conseguia desgrudar das histórias dos amores mal-sucedidos da personagem. A identificação com a narradora-personagem, Maria Ana. é imediata, ao relatar o amor na infância, na adolescência, na fase adulta, enfim a obsessão pelo encontro do par ideal é possível ver um pouco de nós mesmas, mulheres, em cada episódio. A forma como ocorre a desilusão, que acompanha cada desfecho dos dez capítulos denominados como Quase amor e numerados de 1 a 10, é feita de forma leve e engraçada.

            Então tá aí uma dica para tentar ver o sol: literatura divertida, esta pode ser uma boa saída.

            O meu texto é curto porque o tempo também o é. Esta semana teve poucas horas para tudo que tenho para fazer… Então, fui, bom fim de semana! E que venha o sol! Estou contando os dias para a chegada da primavera, enquanto isto vou procurar outros livros e filmes para iluminar meus dias.

criado por joselmanoal    10:50 — Arquivado em: Sem categoria

28/8/09

Fotografia

 

            Rosangela Guella Tamagnone docente da Escola Ismael Chaves Barcellos de Galópolis, foi uma das 10 melhores professoras do Brasil no Prêmio Professor Nota 10, da Fundação Victor Civita com um trabalho sobre história e técnicas de fotografia, proposto em turmas de 7ª e 8ª séries do ensino fundamental. Os alunos tiveram contato com técnicas e foram estimulados à prática de algo que já exercitavam e gostavam. Aprimoraram o repetido gesto e se sensibilizaram com a arte da fotografia, seguramente, passaram a ter um olhar mais atento e cuidado para as cenas cotidianas. Fantástico!

Admito minha inveja (inveja boa) desta nova geração que não perde uma oportunidade de registrar momentos. Estão sempre com o celular em prontidão. Afinal, quantas festas de minha adolescência ficaram registradas apenas na lembrança? Uma pena a gente não tinha celular, nem máquina digital e ninguém lembrava da importância de fotografar a turma arrumada para a festa fantasia, para a festa anos 60, agora só resta lamentar mesmo…

            Claro há o lado exagerado da coisa! Muitos artistas e cantores reclamam dos desagradáveis flashes em teatros e shows. Mais desagradável ainda é quando toca o celular! Tem gente que não tem o mínimo de respeito pelos outros!

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            E falando em respeito, aliás em falta de respeito com o povo, lembramos do senado brasileiro que decidiu arquivar as denúncias contra Sarney! De novo a sujeira ficou embaixo do tapete! É o fim do mundo!

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            Voltando para fotografia (porque os nossos senadores não merecem muitas linhas) todos devem concordar que há exagero, excesso de exposição por parte da gurizada, basta dar uma espiada nos orkuts alheios… Não precisa fotografar tanto, mas a minha geração falhou, com certeza, pela ausência de fotos, acho que isto explica o porquê hoje, em encontros de amigos, gosto tanto de fotografar, tento recuperar o tempo perdido.

            E escrevo isto tudo porque, outro dia, assistindo um filme com minha filha, achei um ator parecido com um amigo da adolescência, daqueles que a gente perde de vista por aí, comentei com o meu marido que concordou com a semelhança. E nossa filha, naturalmente, queria ver uma foto do tal amigo para comparar com o ator. E daí, cadê a foto? Não tenho, o rosto ficou registrado em minha memória, foto não tenho nenhuma.

              Então tá, gurizada, melhor pecar pelo exagero mesmo: muitas  poses e flashes!

             E parabéns à professora Rosângela por ensinar que fotografia também é arte!

criado por joselmanoal    16:18 — Arquivado em: Sem categoria

12/8/09

Violência, até quando viverás entre nós?

          Não gostaria de redigir este texto, mas como a escrita é uma de minhas armas, a utilizo neste momento como denúncia, desabafo, tristeza, incompreensão e dor.

          A jovem Franciele Ferreira Crapanzani era uma jovem de 24 anos, morava no mesmo bairro em que cresci e em que vivi minha infância e adolescência na tranquilidade da Porto Alegre dos anos setenta e oitenta. Esta Porto Alegre não mais existe e não há bairro algum livre da violência na atualidade. Franciele foi assassinada por sujeitos sem escrúpulos, monstros que devem ser capturados. E mesmo que o capturem, nada trará a jovem de volta á vida. O que fazer para que violências gratuitas como esta tenham um fim?  De quem é a responsabilidade, a quem cabe proteger à cidade? Onde estão as nossas autoridades públicas?

          Em um Brasil vergonhoso em que a Comissão de Ética decide esconder embaixo do tapete a corrupção de Sarney e seus amigos, em um Rio Grande do Sul que investiga as mesmas sujeiras por parte do Governo do Estado, é difícil acreditar que alguma autoridade se preocupe com uma moça que desaparece em uma manhã de sábado, 8/08 e é encontrada morta, três dias depois, 11/08, em um matagal. As nossas lideranças estão mais preocupadas em articular estratégias para engordar o próprio bolso do que em proteger à sociedade da barbárie.

          A família, os amigos, os conhecidos e os cidadãos comuns que vivem em meio à violência clamam por justiça, espero que os vilões sejam encontrados e punidos. No entanto, isto não basta! É urgente uma ação de basta à violência! Acredito que a luta contra o crack seja um bom começo, pois sabemos que viciados em crack são capazes de matar alguém por cinco reais.

          Violência, até quando viverás entre nós? Quantas outras meninas como Franciele morrem todos os dias da mesma forma no Brasil, mortas por sujeitos que são fruto de sociedade desigual, que não investe em educação, que cria monstros e os engorda a cada dia?

          Quem conheceu a Franciele viverá a dor da saudade, normal quando um membro querido parte, mas muito mais do que isto viverá um sentimento de incompreensão diante da violência sofrida pela jovem. Nada explica, nada conforta, nada tenho a dizer à família. Meus pêsames e meus sentimentos são vagos e não dão conta de manifestar minha dor e solidariedade, por isto escrevo este texto como um recado às autoridades para que se preocupem com a violência urbana que cada dia é mais assustadora.

          Espero que a morte da Franciele seja um marco para uma campanha de fim à violência urbana!! Como foi com a Campanha do Crack, após a morte do Tobias Lee Manfred Hahn que tinha 24 anos como Franciele. Lamentável que jovens tenham que partir para dar início a campanhas de combate à violência!

 

criado por joselmanoal    14:29 — Arquivado em: Crônica

3/8/09

Crianças-bomba e a barbárie religiosa

 

            Como professora de língua estrangeira, uma das ideias que mais defendo e repito aos alunos, é a de que para aprender um novo idioma, devemos estar livres de preconceito, a fim de respeitar à cultura do outro. Noto que alguns, ou melhor, a maioria dos alunos, em viagem de intercâmbio, por exemplo, não quer sequer provar uma comida diferente àquela a qual está acostumado. Então meu discurso se torna cada vez mais frequente e incisivo.

            Exercito o respeito à cultura alheia, não se trata apenas de discurso, mas confesso que me parece muito difícil, quando se tratam de atos de barbarismo e crueldade: crianças suicidas ou mulheres castigadas por vestirem calças. O choque cultural é violento!

            Na Zero Hora de quarta-feira, 29 de julho, duas notícias me deixaram atordoada: a jornalista Ludna Ahmed al-Hussein sentenciada a receber chibatadas por ter vestido calças, traje considerado indecente em seu país, Sudão; meninos com idade entre 9 e 18 anos foram resgatados pelas forças de segurança do Paquistão, crianças retiradas de suas famílias e forçadas a assistir vídeos sobre a opressão aos muçulmanos, eram doutrinadas e aceitavam como um ato heróico à condição de suicídio, à aceitação de transformar-se em meninos-bomba.

            O gesto de mostrar as pernas é considerado obsceno em algumas partes do mundo. Até concordo que não se precisa exagerar na mostra do corpo como no carnaval brasileiro, mas nem tanto o céu, nem tanto a terra – diz o sábio ditado popular.

            Claro a situação com as crianças é muito mais grave e trágica! A jornalista levará as chibatadas e sobreviverá. Não esquecerá a violência sofrida, porém viverá! Talvez até as chibatadas contribuam para a sua carreira…

             E os inúmeros meninos que desistem da vida, que se acham heróis explodindo bombas em seus corpos? O adulto que faz tal lavagem cerebral pode ser considerado um sujeito de uma maldade sem tamanho. Ou será alguém de fé ilimitada, de ingenuidade absoluta, de crença tão forte capaz, inclusive, de cegá-lo?

            Difícil viver em harmonia, saber dosar a fé, a crença. Sempre pensei que o problema do mundo fosse a falta de fé. Hoje penso que o problema do mundo, talvez, seja o excesso de fé! A fé ilimitada, a fé sem medidas, sem reflexão que pode levar crianças ao suicídio.

criado por joselmanoal    11:29 — Arquivado em: Crônica

23/7/09

Vale Cultura: uma nova cesta básica

          A notícia divulgada na Zero Hora de quarta-feira, 22/07/09, denominada Cultura a R$ 50 por mês trata de um assunto relevante. A cultura, até então, era considerada como um artigo supérfluo em nosso país.

          Ao solicitar a compra de um livro em sala de aula, percebo que os alunos bem vestidos e calçados se queixam do valor das obras, mas não se importam em pagar caro por roupas e por sapatos. São os valores da nossa sociedade, em que estar bem vestido e calçado é mais importante do que ser um leitor, um sujeito crítico e criativo. O valor da aparência sobre o intelecto caracteriza a nossa sociedade.

            Esta iniciativa do governo de propor uma cota para o gasto com cultura me parece uma boa ideia. O Vale Cultura surge como uma alternativa para motivar o povo a participar de eventos artísticos. Cinquenta reais por mês já é alguma coisa!

            Frequentar teatro, cinema, espetáculos musicais podem fazer parte da rotina dos brasileiros, independente do salário do trabalhador. Com certeza esta inserção cultural trará uma melhoria na qualidade de vida do indivíduo, afinal o lazer não se resume à televisão.

            A arte deveria ser para todos! A Terreira da Tribo de Atuadores Ói nóis aqui traveiz e outros tantos grupos de teatro de rua acreditam nesta proposta e levam seus espetáculos às praças das diferentes cidades brasileiras. No entanto é significativo que, além do teatro de rua, o cidadão possa entrar em uma sala de teatro ou de cinema. O uso do Vale contribuirá para a auto-estima, já que o sujeito fará parte de um contexto antes desconhecido.

            Popularizar a arte é um dos caminhos para gerar um povo menos alienado. O outro, primordial, é o da educação de qualidade, porém este é assunto para outro texto… Tratemos tão-somente da Cultura e de sua acessibilidade.  Além do esporte, outro recurso, utilizado para salvar crianças e adolescentes, que vivem em situação precária em nosso país, do caminho das drogas e da prostituição é por meio da arte: cursos de teatro, de balé, de música, etc. Várias instituições e ONGS acreditam na inserção artística e tem investindo em trabalhos dirigidos à população carente. A própria Terreira da Tribo realiza oficinas de teatro gratuitas. A arte é capaz de salvar, pode ser uma saída para atenuar o elevado número de usuários de drogas. O envolvimento artístico atua como catarse, no palco o menino favelado esquece a miséria por alguns minutos, afinal ali se desvela diante dele um outro mundo.

            Tomara que o Vale Cultura seja aceito em vários espaços culturais e que as pessoas percebam a sua importância. Sei que arte não é feijão com arroz, não alimenta o corpo, para isto já existe o projeto Fome Zero. Mas quem disse que a alma também não precisa de uma cesta básica?

 

 

criado por joselmanoal    17:12 — Arquivado em: Crônica

15/7/09

Sobre os reis

 

 

          As notícias referentes à morte e ao funeral de Michael Jackson já ultrapassaram o limite da paciência. Este exagero sobre o rei do pop (que era talentoso, sem dúvida, mas também infeliz, insatisfeito com a própria aparência, querendo ser outro, que talvez nem ele mesmo soubesse bem ao certo quem) me tira do sério!

          Falemos, portanto, de outro rei, popular, romântico e brasileiro: Roberto Carlos! Um sujeito sorridente e de bem com a vida. Deve ter passado por algumas intervenções cirúrgicas, pequenos reparos na imagem, talvez um ou outro botox, mas permanece o mesmo menino de sempre, muito diferente da triste figura andrógina de Michael.

            Todos conhecem as canções do brasileiro, músicas que ultrapassam os tempos e apaixonam diferentes gerações. Mudam as vozes, os ritmos, no entanto a letra de entusiasmo e amor fica. Muitos jovens atribuem autoria de É preciso saber viver ao Titãs! Skank com É proibido fumar, Jota Quest com Além do horizonte, além do Titãs e tantas outras bandas, comprovam que os jovens roqueiros também buscam referência em Roberto.

            É brega? Eu não sei. O que posso afirmar, sim, é que fala de sentimentos com verdade e beleza, o que encanta a todos os públicos. Em tempos de valorização da magreza, cantou para as gordinhas; deu voz ao caminhoneiro; admirou a gravidez; falou de fé, de amizade e de sexo. Retrata a vida: amor, fossa, esperança e paixão.

            Roberto Carlos soube e sabe homenagear: o amigo Erasmo, Jesus Cristo, Caetano Veloso… Passou por vários ritmos, embora o lado romântico tenha sido o mais evidente e de maior projeção. Jovem Guarda, Black Music, pop. Cinquenta anos de trabalho que merecem aplausos. Chega de ovacionar tão-somente a ídolos estrangeiros; nós também temos um rei!

           O complexo de inferioridade predomina entre os brasileiros. Sofremos de baixa estima. Crescemos ouvindo que nosso país não tem jeito, afinal uma nação que nasceu com a marginalidade, não poderá se livrar deste estigma de povo vulgar.

          Importante lembrar: a corrupção, que tanto nos envergonha, não é exclusividade de nosso país, também ocorre no Primeiro Mundo! Os nossos talentos não são menores que o de outros países ditos desenvolvidos. No Brasil, no mercado literário, a maioria prefere best-seller à literatura nacional. Em nossas salas de cinema, aos poucos, está mudando: os brasileiros têm assistido mais a filmes nacionais se comparado a outras décadas, embora muitos continuem a preferir enlatados e bestialidades hollywoodianas. Nas viagens, a escolha dos brasileiros pelo roteiro internacional é maior do que pelo nosso país imenso e de grandiosa beleza. Questão de status ou atitude tupiniquim?

          Enquanto nós, os brasileiros, continuarmos com esta postura de admiração somente a vida dos outros, nunca iremos perceber a beleza de nosso país e de seus talentos! Sem dúvida é preciso saber viver.

criado por joselmanoal    14:25 — Arquivado em: Crônica
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